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2021 o ano da Gestão de Riscos: antecipação e adaptação 

Antonio Celso Ribeiro Brasiliano, CEGRC, CIEAC, CIEIE, CPSI, CIGR, CRMA, CES, DEA, DSE, MBS

Doutor em Ciência e Engenharia da Informação e Inteligência Estratégica pela 
Université Paris-Est (Marne La Vallée, Paris, França); presidente da
empresa Brasiliano INTERISK Gestão de Riscos. abrasiliano@brasiliano.com.br

Janeiro | 2021

O ano de 2020 foi atípico no qual a área de riscos teve que trabalhar de forma contínua, visando sustentar as decisões da alta gestão com uma velocidade muito acima do vivenciado.

 

Em 2020, na minha opinião, tivemos uma mistura do Mundo VUCA com o Mundo BANI. Uma vivência em um mercado extremamente turbulento e ao mesmo tempo caótico. A antecipação e, principalmente, a adaptação, sendo antifrágil, foram dois quesitos que prevaleceram.

Mundo VUCA – Apresentação da Brasiliano INTERISK

No mundo VUCA a não ortodoxia e não dogmatizar preceitos praticados foram cruciais para que o executivo tivesse visão da volatidade e agir com extrema agilidade, mesmo com a abundância e contradições das informações.

Mundo BANI – Apresentação da Brasiliano INTERISK

No mundo BANI, os decisores não podem ser frágeis, ou seja, no mercado caótico que o mundo ficou com a pandemia COVID-19, o novo normal ficou instável, incerto e desordenado. Necessitou que as empresas tivessem uma agilidade e flexibilidade em tudo que fosse surgindo pela frente. Os decisores das empresas que sobreviveram foram “ansiosos”, exigindo deles medidas rápidas, com as informações que tinham e com o espírito de errar rápido e corrigir rápido. Aproveitar todas as frentes. Neste ponto jogaram para o alto as premissas do estrategista Michael Porter, que recomendava foco e fazer trade – off. Neste mercado caótico as empresas tiveram que abrir seu leque e utilizar todas as suas competências para abraçar as “mil janelas de oportunidades”. Em vez de fazer um projeto em 5 anos, tenho que fazer em dois. Não pensar mais de forma linear, mas sim de forma exponencial. E tendo que conviver com as mudanças constantes, daí os executivos tiveram que assumir riscos de todas as naturezas.  

 

Agora também faltou, na minha ótica, uma visão de antecipação por parte das empresas e governos. Se formos ler a 16a edição do relatório Global Risks Report, publicado pelo Fórum Mundial de Economia, em janeiro de deste ano, 2021, veremos no seu prefácio que não foi por falta de aviso que a pandemia foi materializada. Vejam abaixo:

 

“Em 2006, o Global Risks Report soou o alarme sobre pandemias e outros riscos relacionados à saúde. Naquele ano, o relatório alertou que uma gripe letal, sua propagação facilitada por padrões globais de viagem e incontida por mecanismos de alerta insuficientes, apresentaria uma ameaça aguda". Os impactos incluiriam "prejuízo severo para viagens de negócio, turismo e outros setores de serviços, bem como cadeias de suprimentos de manufatura e varejo" enquanto "comércio global, diminuiria o apetite ao risco de investidores e demanda de consumo" poderiam ser danos de longo prazo. “Um ano depois, o relatório apresentou um cenário pandêmico que alardeou, entre outros efeitos, o papel amplificador da "infodemia" na exacerbação como risco motriz. Edições subsequentes enfatizaram a necessidade de colaboração global diante da resistência antimicrobiana (8ª edição, 2013), a crise do Ebola (11ª edição em 2016), ameaças biológicas (14ª edição, 2019) e sistemas de saúde sobrecarregados (15ª edição, 2020), entre outros temas”.

Em 2020, o risco de uma pandemia global foi materializado e, com ela os impactos massivos no mundo inteiro. O fortalecimento da previsão estratégica é agora mais importante do que nunca. Trabalhar com Cenários Prospectivos de Riscos integrados com Gestão de Riscos, visando suportar as decisões da empresa. Preparar para que estejam flexíveis para uma adaptação veloz aos eventos novos que surgiram e surgirão pela frente.

 

Com o mundo mais sintonizado e conscientizado com o risco, há uma oportunidade de alavancar e encontrar maneiras mais eficazes de identificar e comunicar riscos aos tomadores de decisão.

 

O custo humano e econômico do COVID-19 foi e será ainda massivo. Ameaça reduzir anos de progresso para diminuir a pobreza, desigualdade e enfraquecer ainda mais a coesão social e a cooperação global. Perdas de empregos, uma divisão digital crescente, interações da sociedade interrompidas e mudanças abruptas nos mercados podem levar a consequências severas e oportunidades perdidas para grande parte da população do mundo.

 

As ramificações — na forma de agitação social, fragmentação política e tensões geopolíticas — moldarão a eficácia de nossas respostas às outras ameaças fundamentais da próxima década: ataques cibernéticos, desigualdade digital, falha da infraestrutura de Tecnologia da Informação - TI, falta de regras internacionais para uma boa governança digital, armas de destruição em massa e, principalmente, mudanças climáticas.

 

A COVID-19 acelerou a Quarta Revolução Industrial, ampliando a digitalização do ser humano, e-commerce, educação online e trabalho remoto. Essas mudanças transformarão a sociedade muito depois da pandemia e prometem enormes benefícios — a capacidade de teletrabalho e o rápido desenvolvimento de vacinas são dois exemplos. A "desigualdade digital" é classificada como uma ameaça crítica e motriz de curto prazo para o mundo.

 

Uma lacuna digital crescente pode piorar as fraturas sociais e minar as perspectivas de uma recuperação inclusiva. O progresso na inclusão digital está ameaçado pelo crescimento da dependência digital, acelerando rapidamente a automação, a supressão e manipulação de informações, as lacunas na regulação tecnológica, nas habilidades e nas capacidades tecnológicas. Este é um risco consequente massivo.

 

O gap digital causa uma futura "geração perdida" que, provavelmente testará a coesão social dentro das fronteiras — exacerbando a fragmentação geopolítica e a fragilidade econômica global.

 

O impasse estratégico é a alta frequência constante que pode causar uma fissura social tremenda, podendo gerar o "colapso do Estado" e o "colapso do multilateralismo" como ameaças críticas a longo prazo.

 

Estaremos preparados? Dependerá das corporações para investirem em verdadeiros experts em riscos, com um alto perfil para influenciar a liderança, melhorar as comunicações de riscos e combater a desinformação, além de antecipar e adaptar novas formas de parcerias público privada para que todos estejam preparados para os variados riscos.

 

Estes são nossos desafios, conseguiremos a velocidade necessária para a antecipação e adaptação?    

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