
A Importância dos Atores na Montagem de Cenários Prospectivos
Décio Luís Schons, CIEAI, CEGRC, CIGR, CISI
General-de-Exército da Reserva. Vice-Presidente de Operações de Consultoria da empresa Brasiliano INTERISK
Junho | 2025
A técnica de Cenários Prospectivos vem se revelando há já bastante tempo uma ferramenta de extrema valia na gestão de empresas, instituições e organizações as mais diversas. Ao apontar caminhos no trato de situações imprevisíveis em cada uma das múltiplas possibilidades de futuro, os cenários facilitam a gestão da incerteza. Por outro lado, esse exercício de criatividade inspira novas ideias, ao forçar a construção de realidades alternativas. Não menos importante, o constante exercício na antecipação de riscos e identificação de oportunidades melhora de forma significativa a capacidade de tomar decisões em momentos de crise.
A análise das características e tendências comportamentais dos agentes que influenciam diretamente o futuro do sistema analisado – os atores – é etapa fundamental na montagem de cenários prospectivos. Essa análise é em geral constituída das seguintes fases:
1. Identificação dos atores-chave
Análise detalhada dos indivíduos, grupos ou organizações que se mostram capazes de impactar fortemente um ou mais dos cenários em estudo.
2. Análise de interesses e motivações
Ato de compreender objetivos, estratégias e possíveis ações dos atores-chave.
3. Mapeamento de relações e interdependências
Estudo meticuloso das conexões entre os atores-chave e como essas conexões podem influenciar na construção do futuro.
4. Montagem de hipóteses sobre o comportamento dos atores-chave
Estabelecimento de possíveis formas de atuação dos agentes e dos impactos dessas formas de atuação em cada um dos diferentes cenários.
5. Participação dos atores na construção dos cenários
Construção da narrativa dos cenários capaz de refletir o papel dos atores e a influência que eles exercem no enredo e no desfecho da história.
Como sabemos, os atores desempenham papéis fundamentais na construção e análise dos futuros possíveis. Eles podem ser classificados em diferentes categorias, dependendo de seu grau de influência e envolvimento no processo de modelagem do futuro, conforme veremos a seguir.
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Protagonistas: agentes que impulsionam as mudanças e exercem influência direta no desenvolvimento dos cenários. Exemplos: governos, grandes empresas, instituições internacionais ou grupos sociais que produzem políticas e influenciam tendências.
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Reguladores: atores que criam e impõem normas e diretrizes que orientam as decisões no contexto dos cenários futuros. Exemplos: órgãos governamentais, agências reguladoras e entidades normativas.
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Influenciadores: apesar de não serem tomadores de decisão, podem causar impacto significativo nos cenários pela emissão de opiniões, divulgação de pesquisas e capacidade de comunicação e mobilização social. Exemplos: especialistas, acadêmicos, mídias e líderes comunitários.
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Observadores: grupos que se limitam a monitorar os cenários. Eles se adaptam às mudanças, sem, todavia, exercer influência direta sobre a evolução dos acontecimentos. Exemplos: cidadãos comuns, consumidores, pequenas empresas e organizações locais.
Outra questão muito debatida é a metodologia a ser empregada para determinar o nível de influência dos atores sobre as vulnerabilidades e os riscos do sistema objeto do estudo. Nossa sugestão, nesse ponto, é que se empregue a técnica de impactos cruzados, com a construção de uma Matriz de Impactos Cruzados. Aqui estão os passos principais:
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Mapeamento dos atores e das vulnerabilidades do sistema.
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Definição das relações entre atores e vulnerabilidades, considerando suas possíveis interdependências.
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Construção da Matriz de Impactos Cruzados, relacionando os atores e as vulnerabilidades e estabelecendo a intensidade e a direção dos impactos, isto é, se o ator atua sobre a vulnerabilidade ou se é por ela influenciado.
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Análise das interações entre atores e vulnerabilidades para identificar padrões e tendências, analisando como as ações de um ator podem amplificar ou mitigar vulnerabilidades do sistema.
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Simulação de cenários, com as diversas combinações possíveis de atuação dos atores em face das vulnerabilidades, analisando para cada uma das combinações as possíveis evoluções do sistema, de forma a antecipar riscos negativos e oportunidades.
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Definição de estratégias de mitigação, estabelecendo planos de ação para reduzir vulnerabilidades, aproveitar oportunidades e fortalecer a resiliência do sistema.
Vimos assim alguns passos básicos da análise e gestão de riscos tomando em consideração a participação dos atores no processo. Se for de seu interesse ou do interesse de sua empresa aprofundar-se nesse ou em outros temas afetos ao gerenciamento de riscos, contate a Brasiliano INTERISK, uma empresa que oferece soluções de Inteligência e Gestão de Riscos com base na Interconectividade, conferindo total transparência aos processos de Governança, Riscos e Compliance.
