
Risco Político: O ano de eleições presidenciais será marcado pela polarização política? Os últimos foram
Marcos Alves Junior, CIEIE, CIGR, CPSI
Redator, Editor de texto, Criador de vídeos. Cursou Gestão Empresarial na Anhanguera. Formado pela Uninove – Universidade Nove de Julho em Comunicação Social – Jornalismo.
Assistente de Comunicação e Marketing na Brasiliano INTERISK.
Maio | 2026
No Brasil, as eleições presidenciais já se tornaram sinônimo de polarização política. Levando em consideração os pleitos anteriores, é difícil lembrar de alguma eleição que não tenha sido marcada por campanhas de desinformação, ataques políticos, escândalos de corrupção e acusações entre candidatos. Este ano será diferente? Pelo que já podemos observar, não.
Apesar de ser óbvio, é sempre importante ressaltar que o objetivo desta matéria é fornecer uma análise imparcial e estratégica dos riscos políticos associados às eleições presidenciais de 2026 no Brasil, mas principalmente realizar o levantamento de riscos políticos que possam impactar os cenários econômico e institucional do País, buscando oferecer uma visão abrangente e crítica para auxiliar na tomada de decisões estratégicas.
Contexto Político Atual
O Brasil se aproxima das eleições de 2026 em um ambiente político marcado pela continuidade da polarização observada nos pleitos anteriores. A disputa presidencial tende a ser uma reedição do embate entre as forças de esquerda e direita, com novos protagonistas emergindo e buscando consolidar suas bases de apoio. O governo atual enfrenta desafios econômicos e políticos, enquanto a oposição de direita se reorganiza em torno de novas lideranças. A dinâmica pré-eleitoral já demonstra intensa movimentação de partidos e potenciais candidatos, com articulações visando à formação de alianças e à construção de plataformas eleitorais.
O "Centrão" continua sendo um ator fundamental na política brasileira, funcionando como um bloco de partidos que negocia apoio em troca de cargos e influência. Sua adesão é crucial para a governabilidade e para a formação de chapas competitivas. Atualmente, há uma disputa intensa pelo apoio do Centrão entre Lula e Flávio Bolsonaro. O Centrão demonstra resistência em apoiar Flávio Bolsonaro, após perda de influência devido a alguns escândalos, de forma irrestrita, ensaiando aproximações com Lula. Essa dinâmica de negociação e a busca por espaços de poder são características marcantes do cenário pré-eleitoral.
Dito isso, vamos aos Principais Riscos Políticos, Institucionais e Econômicos:
Riscos Políticos
1. Polarização e Radicalização: a persistência da polarização ideológica pode levar a um ambiente eleitoral acirrado, com discursos radicais e dificuldade de construção de consensos. Isso pode gerar instabilidade social e política, independentemente do resultado das urnas
2. Fragmentação Partidária e Governabilidade: a grande quantidade de partidos e a busca por alianças pragmáticas podem resultar em governos com bases de apoio frágeis, dificultando a aprovação de reformas e a implementação de políticas públicas eficazes.
3. Risco Reputacional e Escândalos: o envolvimento de figuras políticas, (ex: Lava Jato, FGTS, Banco Master, entre outros) pode gerar desgaste significativo para suas candidaturas e para os partidos associados, influenciando a percepção do eleitorado e a dinâmica das alianças.
Riscos Institucionais
1. Judicialização da Política: a intervenção do Poder Judiciário em questões políticas, especialmente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pode gerar incerteza e instabilidade. Decisões judiciais sobre candidaturas, regras eleitorais e investigações (como o caso do Banco Master e a invasão ao sistema do CNJ) podem ter um impacto significativo no processo eleitoral.
2. Desinformação e Inteligência Artificial (IA): as eleições de 2026 serão as primeiras a ocorrer sob um novo regime de uso de IA em propaganda eleitoral. O TSE estabeleceu regras claras, incluindo a rotulagem obrigatória de conteúdo sintético e a vedação absoluta de deepfakes para fins eleitorais. No entanto, a fiscalização e a aplicação dessas regras em um cenário de rápida evolução tecnológica representam um desafio significativo. A disseminação de desinformação impulsionada por IA pode minar a integridade do processo eleitoral e a confiança nas instituições.
3. Integridade do Processo Eleitoral: a capacidade das instituições de garantir a lisura e a transparência do pleito pode ser testada por ataques à credibilidade das urnas eletrônicas e por tentativas de deslegitimação dos resultados. A atuação do TSE será crucial para preservar a confiança pública.
Riscos Econômicos
1. Cenário Macroeconômico: a economia brasileira enfrenta desafios como a inflação e a taxa de juros. O Banco Central do Brasil (BCB) projeta uma desaceleração econômica em 2026 e 2027, com a inflação permanecendo acima da meta. O ambiente externo, com conflitos geopolíticos e a desaceleração econômica da China, adiciona incerteza ao cenário doméstico. A "deflação exportada" pela China, embora benéfica para a inflação no curto prazo, pode gerar vulnerabilidades em exportações de commodities a médio prazo.
2. Austeridade Fiscal: a necessidade de ajuste fiscal em 2027 pode gerar pressões sobre o próximo governo, limitando a capacidade de investimento e de implementação de políticas sociais. A discussão sobre o teto de gastos e a sustentabilidade da dívida pública serão temas centrais no debate eleitoral.
3. Volatilidade dos Mercados: a incerteza política e econômica pode levar a uma maior volatilidade nos mercados financeiros, afetando o câmbio, a bolsa de valores e o fluxo de investimentos estrangeiros. A percepção de risco por parte dos investidores pode ser amplificada em um ano eleitoral.
Conclusão
As eleições presidenciais de 2026 no Brasil se apresentam como um evento de alta complexidade e com múltiplos fatores de risco. A polarização política, a influência do Centrão, os desafios econômicos e a emergência de novas tecnologias como a IA na propaganda eleitoral exigem uma análise cuidadosa e estratégica. Os recentes desenvolvimentos na disputa e o escândalo envolvendo o Banco Master, que tem relação com a esposa do Alexandre de Moraes e, soube-se recentemente, com Flávio Bolsonaro, adicionam novas camadas de incerteza e imprevisibilidade ao cenário.
A capacidade dos candidatos de construir alianças sólidas, de apresentar propostas econômicas críveis e de navegar no ambiente de desinformação e de crises reputacionais será determinante para o resultado do pleito e para a estabilidade política do País. A atuação das instituições, em especial do TSE e do Judiciário, será fundamental para garantir a integridade do processo democrático e a confiança pública.
Vale ressaltar que esta é uma macroanálise dos principais riscos políticos. Em uma avaliação mais ampla e aprofundada, que naturalmente não caberia em uma única matéria, diversos outros fatores de risco precisariam ser considerados, principalmente devido à interconectividade existente entre eles e ao potencial de geração de impactos em efeito cascata.
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