
O Emprego de Cenários Prospectivos nas Tomadas de Decisões Estratégicas
Décio Luís Schons, CIEAI, CEGRC, CIGR, CISI
General-de-Exército da Reserva. Vice-Presidente de Operações de Consultoria da empresa Brasiliano INTERISK
Julho | 2025
Vimos em texto anterior que cenários prospectivos são narrativas hipotéticas que descrevem alguns dos diferentes futuros possíveis, com base em tendências influenciadoras, incertezas e variáveis críticas. A importância desse instrumento de trabalho vem crescendo exponencialmente tendo em vista os tempos que vivemos, plenos de incertezas, contradições e mudanças abruptas nos ambientes doméstico e internacional.
Vamos, no presente texto, explorar um pouco mais esses cenários como poderosa ferramenta a ser empregada na tomada de decisões estratégicas, provendo à equipe a capacidade de preparar a organização para trilhar os caminhos que mais lhe sejam favoráveis.
Em primeiro lugar, é preciso definir o foco estratégico, identificando com precisão as decisões a serem tomadas com apoio nos cenários prospectivos em estudo. Essas decisões podem dizer respeito à expansão de mercados, à efetivação de novos investimentos em inovação, à adoção de um novo padrão de gestão de riscos e assim por diante.
O próximo passo será na direção do mapeamento das tendências e incertezas. As tendências mais importantes para o negócio serão determinadas a partir do levantamento das Tendências Influenciadoras Chave (KITs - Key Influencing Trends em inglês), ou seja, aquelas tendências consideradas praticamente certas e que têm um papel determinante sobre o negócio em questão. Aí podem ser listadas as tendências relacionadas a tecnologia, economia, política, sociedade e relações internacionais, dentre outras.
A partir do estabelecimento das KITs, vamos lidar com as Incertezas Críticas. Para tanto, serão formuladas as Perguntas Chave de Inteligência (KIQs – Key Intelligence Questions em inglês). Essas perguntas são elaboradas para estabelecer os possíveis rumos que os acontecimentos poderão tomar a partir da concretização das KITs. Em tese, cada resposta visualizada se encaixaria em um cenário. Todavia, para tornar o trabalho mais enxuto e objetivo, deve-se trabalhar no máximo com 4 cenários prospectivos. Desse modo, é conveniente que se assuma uma postura crítica e seletiva diante das respostas obtidas para as KIQs formuladas.
Tendo em mãos essas respostas, podemos dar início à construção de cenários. Combinando as diversas respostas possíveis para as KIQs formuladas, devemos então desenvolver 3 ou 4 narrativas que descrevam o futuro. Essas narrativas devem ser coerentes e verossímeis. Os cenários apresentados poderão ser classificados como otimista, pessimista, mediano ou disruptivo, segundo uma das classificações mais empregadas. Nada impede que outras categorias sejam apresentadas, dependendo do tipo de negócio de que estamos tratando.
Cada cenário deve receber um nome que expresse de forma evidente a sua natureza: “Futuro Rosa”, “Mercado Instável”, “Recessão e Inflação”, por exemplo.
A partir desse ponto, devem ser testadas as diversas possibilidades de resposta estratégica para cada cenário visualizado. De preferência, as estratégias devem ter características abrangentes, com capacidade de emprego em múltiplos cenários; e flexíveis, de modo a se amoldar às diferentes situações apresentadas. Essas estratégias corporificam as decisões que poderão ser adotadas pela Alta Gestão da organização.
Para que isso aconteça, os cenários devem ser utilizados como uma valiosa ferramenta de diálogo com os líderes e os stakeholders nas discussões que digam respeito às estratégias a serem empregadas pela organização. A Alta Gestão da empresa precisa ser atualizada constantemente sobre a evolução dos cenários, principalmente naquilo que diz respeito ao surgimento de riscos emergentes, sejam eles negativos ou positivos (também conhecidos como oportunidades). Essas atualizações podem ser conduzidas em workshops, simulações ou reuniões de Diretoria.
Para que a equipe de cenários esteja em condições de proporcionar essas atualizações, é essencial que ela proceda ao monitoramento contínuo de quaisquer sinais de mudança que indiquem a concretização de um ou de outro cenário construído ou mesmo de um cenário intermediário, que mescle características de dois ou mais dos cenários originais.
O estabelecimento de indicadores é outro passo fundamental para acompanhar a evolução da conjuntura e opinar sobre qual cenário está em vias de se concretizar e possibilitar desse modo a tomada de decisões ágeis e oportunas.
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