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Organizações e Sistemas Antifrágeis – que
é isso?

Décio Luís Schons,  CIEAI, CEGRC, CIGR, CISI
General-de-Exército da Reserva. Vice-Presidente de Operações de Consultoria da empresa Brasiliano INTERISK

Maio | 2024

A antifragilidade é, sem dúvida, uma qualidade desejável para sistemas e organizações. Criado pelo autor líbano-americano Nassim Nicholas Taleb em 2012, esse conceito veio complementar aquilo que se entendia como robustez (a capacidade de resistir a esforços e dificuldades) e resiliência (a capacidade de ceder momentaneamente diante de pressões e dificuldades para, no momento seguinte, retornar ao ponto de origem).

 

A originalidade do conceito de Antifragilidade reside na noção de que o sistema ou organização antifrágil não apenas “resiste” a estímulos externos que exploram vulnerabilidades ou apresentam novos riscos. Ao passo que uma entidade robusta ou resiliente resiste aos choques e permanece a mesma ou volta a ser ela mesma após o evento, a entidade antifrágil evolui pelo aprendizado de seus próprios erros, falhas e deficiências, num constante processo de autoaperfeiçoamento. Desse modo, esse sistema ou organização teria uma capacidade maior de ultrapassar dificuldades do que um outro, dotado apenas de robustez ou resiliência.

 

Sistemas antifrágeis dão um tratamento especial ao repertório de erros cometidos, erros esses que passam a ser os verdadeiros norteadores do processo evolutivo da organização. Segundo esse entendimento, ter predileção pelos erros requer muito mais do que manter discussões abertas e diretas sobre eles. Significa construir uma cultura de confiança, mediante a aceitação das falhas de forma proativa, a fim de melhorar todo o sistema ou organização. Assim delineado, o processo permite que as pessoas ganhem com experiências efetivas e não apenas com hipóteses, naquilo que se denomina “aprender fazendo” ou “aprender com seus próprios erros”.

 

Chegamos assim ao entendimento de que a tolerância a falhas, isto é, a detecção, o entendimento e a correção de erros, é uma característica intrínseca de qualquer sistema antifrágil. Para isso, o apoio das partes interessadas, importante em qualquer sistema ou organização, passa a ser fundamental para transformar os projetos em ação.

 

Outra novidade interessante é que a satisfação dos quesitos de eficiência e eficácia dos produtos e serviços fornecidos aos clientes deixaram, em si mesmos, de ser encarados como uma vantagem. Para a Antifragilidade, esses parâmetros já são tidos como assegurados, isto é, não passam de simples pré-requisitos.

 

Dentre os princípios a serem seguidos pelas organizações que se pretendam antifrágeis, destacamos em primeiro lugar aquele que coloca o cliente como prioridade maior, como o ponto final de todos os processos e como aquele que deve lucrar mais com sua implementação, sendo-lhe oferecido para tanto um produto ou serviço proativo e auto adaptável.

 

Tendo isso em mente, os integrantes do processo de geração de valor devem estar profundamente conscientes do contexto, no sentido de reconhecer a utilidade dos eventos inesperados e de alto impacto, os chamados cisnes negros, como essenciais para proporcionar as mudanças de paradigma.

 

Além das importantes contribuições oriundas das partes interessadas, existem outras, muitas vezes de grande relevância, com origem no meio ambiente. Isso porque a entidade antifrágil funciona numa espécie de sistema aberto, incorporando estímulos externos de forma contínua. Desse modo, não é apenas a própria organização e suas partes interessadas que fornecem os parâmetros do desempenho esperado – é também o ambiente mais amplo que molda esses parâmetros continuamente, por ser esse ambiente uma fonte natural de erros a serem estudados e de lições a serem aprendidas.

 

Como não poderia deixar de ser, a construção de um relacionamento de inteira confiança no âmbito da organização é essencial para que os erros de qualquer integrante da equipe possam ser estudados e aproveitados sem culpas ou recriminações. O espírito de equipe, a motivação e a mente aberta e receptiva são os pilares em que se sustenta a antifragilidade, estimulando a comunicação aberta e permanente entre todos os integrantes da organização.

 

Organizações e sistemas antifrágeis pautam suas ações pela experiência, que é por sua vez moldada pelo contexto. Assim é que se constrói um ambiente consciente do contexto, com equipes sempre prontas a aproveitar oportunidades e incorporar conhecimentos que contribuam para o aperfeiçoamento dos processos e sistemas.  No momento em que cada integrante da equipe participa dos trabalhos de forma consciente, agregando suas experiências e conhecimentos ao repositório da organização, o sistema torna-se intrinsicamente adaptativo e passa incorporar estímulos que o fortalecem e o fazem evoluir.

 

Da mesma forma, nunca é demais ressaltar a importância de uma comunicação franca e aberta entre os departamentos da organização e entre as pessoas que os compõem. É importante que, periodicamente, as equipes integrantes do sistema ou organização se reúnam, reflitam e analisem os conhecimentos disponíveis, a situação e o contexto, para concluir sobre como se tornar ainda mais eficaz e, a partir daí, sintonizar e ajustar os comportamentos e as ações a realizar.

 

De tudo o que foi dito, podemos afirmar que a predileção pelo erro é a característica mais marcante de uma organização que se proponha a colocar em prática a antifragilidade. Entender o erro como um passo essencial ao progresso da equipe, desde que bem analisado e aproveitado em todas as suas nuances, passou a ser uma etapa essencial nos trabalhos das equipes da organização.

Essa noção assume alta relevância no contexto das modernas metodologias de gerenciamento de riscos. Na montagem de cenários prospectivos, tão úteis na formulação de políticas de caráter preventivo em relação aos riscos de todas as categorias, é essencial que se tenha em mente a experiência do passado para enfrentar com tranquilidade e competência os desafios futuros.

 

Já questionava o grande pensador britânico Bertrand Russel: “Por que cometer erros antigos, quando há tantos erros novos à nossa disposição?” Essa questão ganha, com o advento da noção de antifragilidade, um novo sentido.

 

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