
Tensão Comercial entre Brasil e EUA: Quais motivos levaram à Carta de Donald Trump
Marcos Alves Junior, CIEIE, CIGR, CPSI
Redator, Editor de texto, Criador de vídeos. Cursou Gestão Empresarial na Anhanguera. Formado pela Uninove – Universidade Nove de Julho em Comunicação Social – Jornalismo.
Assistente de Comunicação e Marketing na Brasiliano INTERISK.
Julho | 2025
Nos últimos meses, as tensões geopolíticas têm sido um tema constante em discussões globais, impulsionadas por decisões que muitos consideram radicais. Desde o início de seu mandato, o presidente Trump adotou uma política protecionista e um perfil de negociador rígido, conhecido por sua abordagem incisiva, no sentido figurado do termo – quando busca seus objetivos. Isso ficou evidente com a imposição de taxas e tarifas pesadas sobre diversas nações, inclusive aliados de longa data dos EUA.
Após a primeira onda tarifária imposta por Trump a vários países no início do ano, surgiram tensões significativas. Um exemplo notável foi o conflito entre Israel e Irã, que resultou em diversos ataques mútuos. Em resposta, os EUA realizaram uma operação militar, bombardeando três instalações nucleares iranianas. A reação iraniana, que foi mais contida do que o esperado, abriu caminho para uma saída diplomática e um cessar-fogo negociado pelo presidente americano. Esses confrontos dominaram os noticiários mundiais, inclusive no Brasil.
No dia 9 de julho, a situação ganhou um novo capítulo com o envio de uma carta do presidente dos EUA ao presidente do Brasil. De forma direta, a carta anunciava a imposição de uma tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras para os EUA, com vigência a partir de 1º de agosto de 2025.
Trump justificou essa medida citando o que ele considerava um tratamento injusto ao ex-presidente Jair Bolsonaro, a quem descreveu como vítima de uma "caça às bruxas". Ele também acusou o Brasil de violar a liberdade de expressão de empresas norte-americanas por meio de ordens de censura do Supremo Tribunal Federal. Além disso, criticou a relação comercial como "muito injusta" e "longe de ser recíproca", instruindo o Representante de Comércio a iniciar uma investigação formal (Seção 301) sobre as práticas comerciais brasileiras. A carta condicionava a revisão das tarifas à abertura dos mercados brasileiros e à eliminação de barreiras comerciais, afirmando que a medida era necessária para corrigir déficits comerciais que, segundo ele, ameaçavam a economia e a segurança nacional dos EUA.
Este anúncio gerou grande insegurança no Brasil, especialmente considerando as eleições presidenciais do próximo ano. O atual presidente exaltou a soberania do Brasil, e a cúpula de seu partido aproveitou a situação para atribuir a culpa à oposição. O ex-presidente Jair Bolsonaro, que está inelegível até 2030 devido a uma condenação por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, também é alvo de múltiplas investigações e processos que apuram diferentes suspeitas de crimes, incluindo a tentativa de golpe de estado em 8 de janeiro de 2023 e a incitação aos atos antidemocráticos, nos quais um grupo de apoiadores invadiu e depredou as sedes dos Três Poderes em Brasília.
Por mais que o presidente americano tenha citado esses fatos em sua carta, sob minha visão, há outros pontos que devemos levar em consideração e que podem ter influenciado a decisão dele:
1. A Inevitabilidade da Taxação: O primeiro ponto é que, de uma forma ou de outra, o Brasil acabaria sendo taxado. O fato de ter escapado da primeira onda de tarifas não significava que os EUA iriam esquecer do assunto. Trump não enviou cartas somente para o Brasil; ele as enviou para mais de 24 países, o que demonstra a amplitude dessa medida. Abaixo, a lista e a porcentagem tarifária:
• África do Sul: 30%
• Argélia: 30%
• Bangladesh: 35%
• Bósnia e Herzegovina: 30%
• Brasil: 50%
• Brunei: 25%
• Camboja: 36%
• Canadá: 35%
• Cazaquistão: 25%
• Coreia do Sul: 25%
• Filipinas: 20%
• Indonésia: 32%
• Iraque: 30%
• Japão: 25%
• Laos: 40%
• Líbia: 30%
• Malásia: 25%
• México: 30%
• Myanmar: 40%
• Moldávia: 25%
• Sérvia: 35%
• Sri Lanka: 30%
• Tailândia: 36%
• Tunísia: 25%
• União Europeia: 30%
2. O Papel do BRICS: O segundo ponto é que o Brasil faz parte do BRICS, junto com Rússia, Índia, China e África do Sul. Dois dos cinco integrantes são adversários históricos dos EUA, e no ano passado foi anunciada uma expansão para Egito, Irã, Etiópia, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Além disso, um dos objetivos dessa aliança política, econômica e estratégica é desafiar a hegemonia de potências tradicionais (como os EUA e a União Europeia), criando até mesmo uma moeda alternativa, o que enfraqueceria o dólar. Ou seja, essa aliança pode vir a se tornar uma ameaça para o presidente americano no futuro.
3. O Suposto Déficit Comercial: O terceiro ponto é o suposto déficit comercial que Trump alega terem os Estados Unidos com o Brasil, usado como uma das justificativas para a imposição das tarifas. Ele argumentou que as tarifas seriam necessárias para corrigir anos de barreiras tarifárias e não tarifárias impostas pelo Brasil.
4. Interesses Políticos: O quarto ponto refere-se aos interesses políticos, conforme já mencionado e até mesmo citado pelo presidente na carta enviada. Segundo ele, a perseguição sofrida por um de seus aliados políticos, Jair Bolsonaro, em véspera de eleições presidenciais que acontecerão no próximo ano, é um fator importante. Na visão de Trump, se Bolsonaro concorresse, teria grandes chances de vencer. Nesse caso, Trump ganharia mais um aliado, como acontece na Argentina, com Javier Milei.
Bem, esses são alguns dos principais pontos que, na minha opinião, influenciaram a tensão comercial entre Brasil e EUA.
Precisamos ficar atentos, pois muitas coisas podem acontecer até o dia 1º de agosto. No entanto, já consigo perceber que essa carta, com todas as suas alegações e comentários, já está impactando a política interna do nosso país e até mesmo influenciando as eleições do próximo ano.
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