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Atores na Gestão de Riscos: o que eles querem, o que podem fazer e onde agir

Antonio Celso Ribeiro Brasiliano, PhD,

Doutor em Filosofia da Ciência da Segurança Internacional,pela Universidade de Cambridge, Inglaterra.Presidente da Brasiliano INTERISK

Outubro | 2026

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Prezadas leitoras e prezados leitores,

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Na semana passada, escrevi no meu News Radar sobre os atores na Gestão de Riscos. Neste artigo, destaco os pontos que considero estratégicos para que gestores de riscos e de inteligência comecem a incorporar essa análise em seus processos.

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O mais importante é compreender que não podemos continuar fazendo mais do mesmo sem alcançar resultados práticos. Estamos no século XXI, em um mundo NAVI, e os processos de Gestão de Riscos não podem permanecer restritos aos mesmos métodos e ferramentas. Precisamos evoluir, inovar e desenvolver novas abordagens que acompanhem a dinâmica dos cenários e contribuam efetivamente para a tomada de decisão.

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Introdução

 

Riscos não nascem sozinhos: alguém os impulsiona, alguém os protege, alguém os contém. No artigo publicado no Radar, mostramos como o Método Brasiliano lê esse jogo de atores com três ferramentas complementares: a MIC dos Atores mede o poder relacional (quem põe em causa quem), o PMA mede o alcance sobre as alavancas do sistema e o EFD mede a vontade. Esta síntese foca o EFD e a Matriz de Classificação dos Atores, tema do nosso webinar de novembro.

EFEITO FINAL DESEJADO

EFD: a dimensão que falta na matriz de riscos

 

Avaliar riscos apenas por probabilidade e impacto, sem perguntar o que as suas fontes querem e se conseguem, é olhar o tabuleiro sem olhar o jogador.

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Da guerra à norma, da norma a todos os riscos

 

O conceito nasce na doutrina militar — o end state, o estado final que um comandante quer alcançar com uma campanha. Todo estado-maior estuda o EFD do adversário: o que ele pretende, se tem meios para isso e se a sua motivação basta, incluindo a aposta que faz sobre a nossa resposta.

 

A ISO/IEC 27005 (Anexo A.2.3) levou a ideia para a segurança da informação, no perfil das fontes de risco e do estado final que desejam. A Brasiliano INTERISK aplica o EFD a todos os riscos e cenários — segurança empresarial, fraude, geopolítica, cibernético, crime organizado —, porque em todos há fontes de risco com vontade própria: o fraudador, o governo com um projeto, a rede que lucra com o desvio.

 

Três componentes, uma nota

 

Intenção é o estado final escrito em uma frase. Capacidade não é opinião: é lida na posição do ator na MIC e no seu PMA. Motivação e aposta medem o preço que o ator aceita pagar; quem aposta que o Estado não reagirá, porque nunca reagiu, tem a motivação reforçada pela impunidade. A regra de ouro: a capacidade limita o EFD. Quem quer muito mas não consegue não recebe nota alta; quem consegue mas não quer — ou não decide — também não.

Figura 1 – Os três componentes do EFD e a nota de 0 a 5

Um Exemplo prático

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Uma distribuidora de combustíveis, instalada em um país da América Latina, é pressionada por subsídio do governo, contrabando e corrupção —, três lições saltam do EFD de contexto. O EFD não é a influência sobre os demais: o Ministério das Finanças deste país é o Motor, pois possui grande influência, recebe EFD 2 — mas não decide. A capacidade limita a nota: as Redes de contrabando têm a maior motivação do sistema e ficam com EFD 3, porque a sua capacidade é emprestada. As vontades mais fortes estão fora do alcance da empresa: Elites econômicas deste país são ligadas ao contrabando e possuem uma motivação forte (5) e o Presidente da República e Governo do país vizinho, que se beneficia do contrabando, motivação (4).

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Do contexto para o risco

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O EFD muda de unidade quando se passa da Fase do contexto para a Fase da avaliação de riscos: cada ator recebe uma nota por risco, com o sentido da influência — se impulsiona ou contém.

As Transportadoras são quase irrelevantes para o sistema (EFD 1) e centrais para este risco especificamente (EFD 4). O ator é o mesmo; o seu peso sobre cada risco muda conforme sua intenção. Esta é uma diferença estratégica e crucial na avaliação. Por esta razão há a necessidade de realizar o EFD para o contexto e para os riscos que as empresas estão expostas.

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Todas estas ferramentas servem para que possamos embasar e saber quem é quem. Insisto, não há “almoço grátis”. Se queremos um estudo mais assertivo e acompanhando a dinâmica dos mercados, temos que mudar nosso “mindset”, caso contrário iremos sempre ser pegos de surpresa e, pior, não agregaremos valor para nossas instituições. Pensem nisso!! Temos que evoluir nas metodologias!!

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Forte abraço a todos e muita resiliência para os tempos bicudos que teremos que enfrentar!!

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