MERCADO

 

A IMPORTÂNCIA DA GESTÃO DE RISCO em projetos arquitetônicos

Lucas V. R. Costa, MBS
Engenheiro eletricista, pós graduando em Gestão de Riscos corporativos pela Faculdade
de Engenharia de São Paulo - FESP. Atualmente é consultor da Brasiliano INTERISK.

Neste contexto, riscos é uma das disciplinas fundamentais consideradas no processo, porém, em muitos casos suas métricas e abordagens são aplicadas de forma superficial por parte do gestor, focando apenas no cumprimento de cronogramas e custos finais da obra.

 

Um grande desafio para a implementação de um bom planejamento de riscos é saber levantar os aspectos técnicos e gerenciais do plano de gerenciamento de projeto, em consonância com o conceito de interconectividade entre os riscos, mensurando de forma clara as relações entre riscos de diferentes classes e períodos de ocorrência nas várias fases do projeto.

Especificamente para projetos arquitetônicos ainda não concebidos, o conhecimento dos fatores críticos de sucesso, vão muito além do planejamento e análise de viabilidade econômica e financeira, escolha de uma localização adequada ao perfil social do público alvo ou correto acompanhamento dos custos e cronograma de trabalho. De modo geral, um bom planejamento de riscos deve considerar as relações entre as vulnerabilidades próprias de três macro fases do projeto, a saber:

Um olhar crítico para a necessidade de interconexão entre riscos!

Um olhar crítico para a necessidade de interconexão entre riscos - Quando falamos de gestão de projetos arquitetônicos, o primeiro conceito que vem à mente de engenheiros, arquitetos e profissionais da área, são as métricas e conceitos difundidas pelo PMI (Project Management Institute), importante instituição que visa garantir uma melhor condição de gerenciamento de projetos, considerando dez disciplinas fundamentais: integração, escopo, tempo, custo, qualidade, recursos humanos, comunicações, riscos, aquisições e partes interessadas.

Fase de concepção

 

Nesta fase, destaca-se uma análise detalhada das características da ambiência externa, como localização e conjuntura econômica e política do local, tudo isso, no entanto, sob a ótica de riscos.

A avaliação dos desenhos e plantas do projeto, também são de suma importância nesta etapa (e muitas vezes ignorada), pois as vulnerabilidades próprias desta fase é que proporcionarão a remodelagem do projeto visando uma condição de equilíbrio entre o Conceito X Viabilidade X Segurança, minimizando a aplicação de recursos para correção de erros de projeto no futuro.

Cabe destacar que em um processo de gestão de riscos, a análise das plantas e desenhos técnicos não estão relacionados apenas a temas de segurança do patrimônio, mas abrangem uma série de outros componentes que poderão ditar o grau de sucesso do projeto, como a flexibilidade da edificação, safety e circulação interna.

Do ponto de vista financeiro e comercial, esta pode ser considerada a etapa mais crítica do processo de gestão de riscos para projetos arquitetônicos, uma vez que está intrinsecamente ligada as definições propostas pelo investidor (conceito do projeto).

Falhas no processo de gestão de riscos nesta etapa, como a não observância ou prospecção adequada dos cenários econômicos e políticos, podem gerar impactos consideráveis. Como exemplo, podemos citar diversos empreendimentos, na região portuária do Rio de Janeiro, que devido à crise econômica, tiveram sua construção paralisada, gerando prejuízos tanto a investidores, como a sociedade carioca como um todo, tendo em vista que a revitalização da área apresenta potencial para atração de turistas na cidade maravilhosa.

Fase de construção


Normalmente, nesta etapa, o conceito de gerenciamento de projeto nos moldes do PMI é mais difundido. A necessidade em se prever e/ou monitorar riscos que poderão prejudicar o cumprimento de cronograma, custo final do projeto, qualidade, fuga do escopo inicial, e afins, faz com que a equipe de gestão, tenha uma preocupação a mais com os riscos inerentes ao projeto, realizando um acompanhamento mais próximo, através das informações recebidas por parte da engenharia e arquitetura.

Dada a dinamicidade das frentes de trabalho, muitas vezes, riscos de menor relevância, probabilidade ou impacto financeiro para a obra, deixam de ser considerados ou revisados em um processo puramente de gestão de projetos. A título de exemplo, podemos citar os riscos de caráter social, os quais em dadas conjunturas poderão não impactar a fase de obras, mas representar um impacto muito grande após a finalização do projeto, sendo considerados muito importantes no conceito de interconectividade entre riscos.

Fase de operação

 

É justamente na etapa de operação que um bom plano de gestão de riscos baseado na interconectividade dos riscos das três fases do projeto, apresentará o maior diferencial em relação ao plano de gerenciamento de projetos, tendo em vista que o segundo conceito se finda ao término da etapa de obras.

No contexto brasileiro, é justamente nesta etapa que os riscos relativos à segurança do patrimônio se tornarão mais latentes, demandando na maioria das vezes correções com recursos complementares de segurança física, eletrônica e recursos humanos, encarecendo a operação e o custo final para locatários.

A falta de flexibilidade arquitetônica do projeto, também será um risco com grande impacto na fase de operação.

 

Como na maioria dos casos, o projeto arquitetônico será repassado para um novo investidor, que administrará o ativo, um bom plano de gerenciamento de riscos partindo do conceito de interconectividade, pode ser aplicado inclusive como ferramenta de marketing, já que possibilitará ao novo gestor conhecer os pontos fortes e fracos do projeto de maneira clara.

De modo geral, o objetivo do desenvolvimento de um plano de gestão baseado na interconectividade de riscos é fazer com que todos os riscos inerentes de cada fase do projeto, convirjam para uma única base de análise (matriz de riscos por exemplo), de modo que a gestão esteja focada no projeto como um todo e não apenas nas fases do projeto isoladamente, proporcionando ao gestor visualizar todos os problemas e oportunidades enfrentados de forma macro para a melhor tomada de ação.

Importante destacar que durante as três fases abordadas, novos riscos com pequena, média ou alta relevância aparecerão. O sucesso do projeto, no entanto, se dará mediante o gerenciamento constante feito durante toda a vida do empreendimento, com tomadas de ação cabíveis para cada tipo de risco enfrentado.


 

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