MERCADO

 

 Efeitos do “Big Data” 

no Gerenciamento de Riscos Corporativos

Mário A. W. de Souza, MBS
Administrador, especialista em Gestão de Riscos pela Faculdade de Engenharia de São Paulo, Mestrando em Habitação
(Linha de pesquisa em Riscos) pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT. Atualmente é Consultor da Brasiliano INTERISK

O termo “Big Data” ganhou notoriedade perante a população brasileira em maio de 2013,
quando a revista Veja fez uma matéria a respeito do assunto, mas afinal, do que se trata?

Uma definição amplamente utilizada por diversos autores para o termo é: “Big Data é um termo amplamente utilizado na atualidade para nomear conjuntos de dados muito grandes ou complexos, que os aplicativos de processamento de dados tradicionais ainda não conseguem lidar.”


A quantidade de informações que estamos expostos diariamente é absurda e crescente. Segundo a literatura o “Big Data” se baseia em 5V’s da informação: velocidade, volume, variedade, veracidade e valor.  


As equipes de qualquer organização devem possuir, cada vez mais, poder de priorização para trabalhar as informações, extraindo o que realmente agrega valor e, desta forma, representará vantagem competitiva. Sob esta ótica, o 5V’s possui total sinergia com o gerenciamento de riscos corporativos.


“Big Data” x Gerenciamento de Riscos Corporativos


Atualmente, qualquer organização está exposta a uma série de riscos. Se não bastasse o desafio de identificar, analisar e avalia-los, os gestores de riscos devem orientar a organização e propor ferramentas para lidar com probabilidades e impactos distintas e que variam de forma cada vez mais rápida, alterando a matriz de riscos e, por consequência, as decisões da organização, incluindo as estratégicas.


Profissionais de risco devem pautar-se no 5V’s para romper a barreira da estagnação. Analisando cada “V” sob a ótica de riscos, vemos que:

 

Velocidade

Variedade

O fluxo de informação é rápido, ao passo que, em apenas um dia (24 horas), um dado não trabalhado adequadamente, dependendo do tipo de negócio, pode comprometer a estratégia da organização.

Dentre os incontáveis dados gerados, estruturados ou não, possuímos informações verídicas e valiosas, bem como, informações falsas. O desafio está em filtrar as informações que, realmente, importam e contribuem para a organização.

Volume

Veracidade

Eric Schmidt, presidente do conselho do Google, diz que “o mesmo volume de informação produzida entre o início da civilização e o ano de 2003, considerando o marco zero da era digital, passou a ser criado, e difundido, a cada dois dias”, desta forma, são incontáveis dados que podem representar uma grande oportunidade de negócio como uma grande ameaça.

Atualmente as fakes News (notícias falsas) ganham notoriedade, são instrumentos capazes de destruir a reputação de uma organização de forma criminosa. Tal fenômeno é impulsionado pela velocidade com que a informação percorre o mundo.

Valor

As informações e dados oriundos do “Big Data” podem, como dito anteriormente, potencializar o crescimento e o atingimento dos objetivos estratégicos de uma organização, como também podem compromete-la caso tais dados não sejam recepcionados, analisados e trabalhados, quando for o caso, adequadamente.

O grande ponto a ser observado é que, da mesma forma que o “Big Data” pode contribuir positivamente para uma organização, pode também arruinar anos de trabalho. Neste ponto entra o gerenciamento de riscos, quais são as ameaças, as oportunidades e os riscos que tal realidade impõe as organizações.


Romper a barreira da estagnação está relacionado a postura do Gestor de Risco perante a esta realidade, não podemos mais nos permitir ficar trabalhando de forma manual e alienada. Por experiência, arrisco dizer que grandes organizações abordam riscos da mesma forma há décadas.


Risco do “Big Data” para as Organizações


Conforme estabelecido pela ISO 31000:2009, bem como, melhores práticas de mercado, como o COSO, o risco pode concretizar-se em um evento Positivo ou Negativo, causado por eventos internos e externos, que são fontes de riscos (fatores de risco).


Pautado nos 5 V’s do “Big Data”, a quantidade de informação gerada pode representar fatores de riscos positivos (oportunidade e força) ou negativos (ameaças e fraquezas), como podem também, trazer novos riscos a organização. Entender os 5 V’s é primordial para que o gestor de risco entenda a exposição que a organização tem a essa quantidade de informação, quais, de fato, podem alterar a composição da matriz de risco e, pautado na exposição da empresa ao “Big Data”, saber o que monitorar e quais as ferramentas a serem utilizadas.


Nesse viés, negligenciar essa realidade, por si só é um risco. Desta forma, elenco práticas de mercado que podem potencializar os riscos da organização, bem como, fazê-la perder grande oportunidade:

 

  • Não dispor de software para realizar o Gerenciamento Integrado dos Riscos Corporativos, insistindo em trabalhar em planilhas e apresentações não integradas, que não fornecem visão estratégica de riscos;

  • Possuir visão operacional (dando prioridade a disciplina que mais possui aptidão), não entendendo o contexto da organização, trabalhando com questões demasiadamente operacionais quando na realidade, existem riscos de maior criticidade totalmente descontrolados. É normal depararmos com gestores de riscos que priorizam processos que historicamente possuem maior criticidade, porém, por não entender o contexto da organização, deixam de lado processos realmente críticos, que podem afetar profundamente a estratégia.

  • Negligenciar o monitoramento constante do ambiente interno e externo que, neste contexto, é o grande vilão. Não dispor de ferramentas estruturadas para monitoramento do ambiente é “fechar os olhos” para o “Big Data” e suas oportunidade e ameaças.  


Adequando-se ao “Big Data”
 

Estabelecer uma estrutura, amparada por uma Política de Risco e uma metodologia aderente à organização é o primeiro passo. Tais documentos são essenciais para garantir a vitalidade e perpetuação da Gestão de Riscos na organização.


Todas as organizações estão expostas ao “Big Data”. Entender o tipo e grau de exposição pautará as ações necessárias para a adequação. Podemos citar a matéria realizada pela BBC Brasil em 26 de setembro de 2017 de título “Doria usa cinco softwares de ‘big data’ para aumentar seu alcance nas redes”, onde, o autor escreve que a equipe de Doria, em sua busca pela presidência da república e boa imagem perante a população, utiliza 5 softwares para obter dados de sua imagem, tais ferramentas buscam e trabalham informações através de logaritmos, fornecendo insumos para tomada de decisão estratégica.


Segundo o Dória, através da ferramenta de monitoramento, sua equipe sabe que entre os 114 milhões de usuários únicos do Facebook no Brasil, 23,5% já interagiram com a página do prefeito, o maior percentual de uma lista de sete possíveis presidenciáveis. O segundo lugar é de Jair Bolsonaro (PSC-RJ), com 7,1%.


O exemplo citado acima demonstra a necessidade de entender o Tipo e o Grau de exposição, uma organização que possui fortes laços com o governo americano, apoiando, por exemplo, ações contra o Estado Islâmico deve saber que necessita de dados referentes a movimentação desta organização para seu país de origem, onde, sob o indício de maior movimentação irá reforçar seus controles para proteger seus colaboradores.
Outro exemplo que podemos citar é referente a empresas que trabalham explorando sua marca que é consolidada, uma grife (Louis Vuitton, Audi e demais), onde há enorme necessidade de entender a movimentação do mercado e dos consumidores. Tais insumos trarão informações para retroalimentar o processo de Gestão de Riscos.


Conclusão


O “Big Data” contribui, e muito, para o mundo VICA (Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo). Como profissionais da área de Riscos, Governança e Compliance não devemos nos ater a execução de planilhas, reuniões pouco produtivas e informação não integradas e assertivas.


Lembre-se, as falhas na Gestão de Riscos Corporativos, infelizmente, só são escancaradas quando escândalos ou acidentes são concretizados, como na Petrobrás e na Samarco.


Nesse viés, estabelecer uma estrutura pautada no modelo das Três Linhas de Defesa, utilizando software que integre as diversas disciplinas (processos, meio ambiente, segurança do trabalho, Compliance, estratégicos e demais), além de integrar a área de Auditoria e Continuidade de Negócios, promove o que chamamos de Inteligência em Riscos, isto é, informações trabalhadas, avaliadas e concisas, proporcionando instrumento confiável para a tomada de decisão e o crescimento sustentável.


Conforme estabelecido na ISO 31000:2009 e no COSO, além de outros manuais, como do IBGC, realizar o monitoramento do ambiente deve ser fase do processo de Gestão de Riscos, retroalimentando o processo, contribuindo desta forma, para a atitude prospectiva perante o risco.
 

..Todas as organizações estão expostas ao “Big Data”. Entender o tipo e grau de exposição pautará as ações necessárias para a adequação..

Assim, entender os 5 V’s para sua organização e definir o que, e a forma que deve ser monitorado, é o instrumento para lidarmos com o “Big Data”, suportando a organização no mundo VICA, prospectando riscos e oportunidades.


A Brasiliano INTERISK dispõe de metodologia aderente as normas internacionais e melhores práticas de mercado, além do software INTERISK, que integra as diversas disciplinas, proporcionando inteligência em riscos.

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