INOVAÇÃO

 

O FUTURO DA
GESTÃO DE RISCO

NA QUARTA
REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

Prof. Dr. Antonio Celso Ribeiro Brasiliano, CIGR, CRMA, CES, DEA, DSE, MBS
Doutor em Science et Ingénierie de L’Information et de L’Intelligence Stratégique, pela Université East Paris
- Marne La Vallée – Paris – França, é presidente da Brasiliano INTERISK.
abrasiliano@brasiliano.com.br

Com o aumento das expectativas regulatórias, das altas tecnologias emergentes e do grande volume de informação e transação, o futuro da gestão de riscos pode parecer totalmente obsoleto no formato que se encontra hoje. Será?

Com a quarta revolução industrial em andamento, o mundo com as características do VICA – volátil, incerto, complexo e ambíguo, a gestão de riscos nas organizações passa a ser um processo estratégico, pois além de poder enxergar na frente, com antecipação, visualizando os sinais de mudanças, as incertezas críticas, também deve conseguir identificar com acurácia tanto as oportunidades (riscos positivos) como as ameaças (riscos negativos) para o negócio da empresa.  


As unidades de negócios terão propriedade clara dos riscos que tomam, em função do apetite de risco, alinhado com a estratégia. O gerenciamento de risco, integrado com uma cultura de ousadia será generalizado em toda a organização.


O papel da função de gerenciamento de risco será a de supervisionar e de verificar o nível de ousadia que as áreas de negócio possuem, dentro do apetite estipulado. A área de gerenciamento de riscos terá que se utilizar, obrigatoriamente de ferramentas digitais para atingir eficiência e eficácia.

 

As ferramentas digitais incluirão agentes cognitivos que digitalizam uma ampla gama de sinais no ambiente interno e externo visando identificar novos riscos, novas ameaças emergentes e potenciais atores ruins. Essas ferramentas digitais não só fortalecerão a função de gestão de riscos, como também fornecerão uma visão holística do negócio, da estratégia e de como está a execução estratégica integrada com a materialização de riscos.


A Grande análise das informações será usada para fornecer uma visão de interconectividade entre riscos e seus fatores causais. A robótica e a Inteligência artificial otimizarão e automatizarão processos que ainda precisam reduzir drasticamente o risco operacional, melhorando a qualidade do gerenciamento de riscos.


A triagem de riscos ocorrerá de forma automatizada e contínua, deixando para os analistas as avaliações e tratamento adicionais, quando justificado com as situações específicas de riscos significativos. Os relatórios serão elaborados automaticamente, necessitando apenas de avaliações pontuais, o que resumirá as atividades burocráticas dos analistas de riscos.


Os ambientes regulatórios e empresariais tornam-se mais voláteis e imprevisíveis, a onda de requisitos regulamentares cada vez mais estritos parece oscilar em determinados segmentos. O risco geopolítico aumenta em função das mudanças sociais e políticas, nas várias partes do mundo, as empresas com ideias disruptivas surgem de forma exponencial, ameaçando modelos tradicionais de negócios.


Nos anos que se seguiram à crise financeira, as instituições financeiras enfrentaram um tsunami de novos requisitos regulamentares. Os novos regulamentos levaram os custos de conformidade, enquanto o aumento dos requisitos de capital e liquidez reduziu os retornos. Esses novos regulamentos vieram em um período de crescimento econômico lento, taxas de juros historicamente baixas e oportunidades de receita limitada, que reduziram ainda mais os retornos sobre o patrimônio e levaram as instituições a procurar reduzir os custos operacionais, incluindo os custos de gerenciamento de risco.


Hoje, o gerenciamento de riscos nas corporações está em uma encruzilhada. Não há uma estrutura integrada realmente, onde os riscos se comunicam e a alta gestão possua uma visão de interconectividade. O gerenciamento de riscos, neste mundo VICA, na quarta revolução industrial, terá que fundamentalmente repensar sua abordagem. Hoje a grande maioria das organizações respondem de maneira fragmentada, resultando em uma estrutura desarticulada e ineficiente. As atividades frequentemente ocorrem em silos, tornando difícil ou impossível obter uma visão abrangente do gerenciamento de riscos em toda a empresa, aumentando o custo e a sua complexidade. O atual ambiente volátil de negócios tornou mais difícil essa atual estrutura ser eficaz.


Para que o Gerenciamento de Riscos saia desta encruzilhada e seja de fato eficaz, agregando valor para a empresa, há a necessidade da integração com a estratégia da empresa e seu desempenho, alinhado com alta tecnologia para automatizar processos de robótica, inteligência artificial / cognitiva, processamento de linguagem natural e aprendizado de máquinas, que reduzirão custos, além de oferecer previsões em questões de risco emergentes.


À medida que planejam a nova era de gerenciamento de riscos, os gestores de riscos devem considerar cinco pilares estratégicos de mudança:

 

 

  1. Aumentar o foco em riscos estratégicos, alinhado com a estratégia e performance da empresa, tendo uma visão holística do contexto;

  2. Salientar e conscientizar o Modelo de Governança das Três Linhas de Defesa, reforçando a responsabilidade dos donos dos processos serem donos dos riscos e dos controles e esclarecer o papel estratégico da segunda linha de defesa;

  3. Operacionalizar tecnologias emergentes visando aumentar a eficiência e eficácia do gerenciamento de riscos;

  4. Estabelecer um programa formal de cultura de riscos e ousadia, dentro do apetite de risco da empresa, visando construir a confiança e obter clara vantagem estratégica;

  5. Possuir uma estrutura de gerenciamento de riscos extremamente enxuta e ágil, mas ao mesmo tempo plugada nos acontecimentos internos e externos, através da alta tecnologia e rede formada.


As empresas precisarão abordar esses cinco pilares estratégicos em um programa coordenado para que eles não trabalhem com propósitos cruzados em iniciativas individuais. Será necessária uma abordagem integrada de gerenciamento de portfólio de mudanças de risco, visando avançar esforços de simplificação e modernização.


As empresas têm, nesta quarta revolução industrial, a oportunidade de re-imaginar e reinventar a capacidade de gerenciamento de risco do futuro. Mais um desafio para que não fiquemos obsoletos. Conseguiremos?

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