PONTO DE VISTA

 

Calamidade na habitação na cidade de São Paulo:

GESTORES PÚBLICOS MAIS UMA VEZ POSSUEM ATITUDE DE AVESTRUZ!

Antonio Celso Ribeiro Brasiliano, CIGR, CRMA, CES, DEA, DSE, MBS
 Publisher da Revista Gestão de Risco e Presidente da Brasiliano INTERISK.
abrasiliano@brasiliano.com.br.br

São Paulo, a maior cidade da América Latina, tida como um grande centro, viveu no último dia primeiro de maio mais um grande incêndio em um de seus edifícios. Só que neste, cerca de 320 pessoas perderam suas moradias, improvisadas e insalubres, quando um prédio todo envidraçado e minimalista sucumbiu, como se fosse de gesso, às chamas.

O Edifício Wilton Paes de Almeida, tinha sido sede da Polícia Federal por quase 20 anos, quando essa em 2003, mudou-se para uma nova sede, deixando a edificação sem dono... abandonada e largada.


O patrimônio histórico, tombado, foi vítima junto com seus ocupantes da incompetência do Estado, das três esferas: municipal, estadual e federal. O resultado não podia ser outro, pois uma edificação largada e abandonada, só podia ser ocupada. A cidade de São Paulo possui hoje cerca de 206 ocupações de edificações, sendo 70 no centro. Isto equivale a 46.000 famílias largadas a própria sorte.


Este terrível acidente, que classifico como mais uma incompetência das autoridades, estimula o exercício de olhar a trajetória percorrida, recompor o itinerário e elaborar planos para fazer do futuro um tempo de real mitigação de riscos.


Ao olhar no retrovisor do tempo e fazer uma pequena retrospectiva enxergamos a falta da visão prospectiva dos gestores, neste caso públicos, pois a inércia de pensar que nada poderia a vir a acontecer vira uma piada de muito mau gosto.


Quer dizer que as autoridades sabem que existem ocupações em edificações, que estas edificações estão em condições precárias e colocando as vidas das famílias em alta exposição e simplesmente fecham os olhos? Ficam num jogo de empurra, colocando a culpa na burocracia. Desculpe, mas classifico como uma atitude, que o Cenarista francês Michael Godet denomina de AVESTRUZ. Ou seja, colocam a cabeça na terra e deixam o resto de fora, na expectativa de que nada dê errado? Sabendo das condições precárias e do número de ocupações, pergunto: qual a probabilidade da Cidade de São Paulo ter uma outra calamidade? Baixa? Média? Alta? Ou Muito Alta? Não precisa ser especialista e ter feito doutorado na França para prospectar que no futuro haverá outra calamidade, se nada for feito.


O que nos deixa revoltados, é a atitude passiva, atitude de avestruz, que leva a uma atitude de bombeiro, sempre reativa, aguardando a calamidade para realizar a reação.


Falta para os gestores a atitude de segurador, atitude pré-ativa: se preparar para as possíveis mudanças porque sabe que a reparação é mais cara que a prevenção e a de conspirador, atitude proativa: que atua no sentido de provocar mudanças desejadas, neste caso tentando evitar o risco.
A atitude dos nossos gestores é de puro amadorismo, para quem administra ou gerencia a vida de uma megalópole como São Paulo. Como podemos deixar famílias, com crianças e idosos, em edificações sem alvará, sem condições mínimas de segurança?  Onde está o Ministério Público Municipal, Estadual e Federal para obrigar o estado a retirar essas pessoas, que por ignorância e desespero permanecem nestas armadilhas? Realmente não dá para compreender.


O que vimos, mais uma vez, foi um grande amadorismo e muita, mas muita sorte, pois neste caso Deus foi realmente Brasileiro. As perdas com as vidas humanas poderiam ter sido catastróficas. Houve sim força de vontade e garra dos bombeiros em lutar, mesmo sem as condições ideais. Mas infelizmente, faltou mais uma vez tecnicidade e profissionalismo, o que vimos foi muita irresponsabilidade. Nada justifica a falta de um processo formal de contingência, principalmente sabendo dos locais onde as ocupações existem e as probabilidades são altas de termos graves problemas.
Precisamos entender que mais do que termos um plano formal, no nosso caso na área de gestão de riscos, é preciso ter metas claras. O planejamento serve como medida de eficácia para nortear os objetivos da prevenção. A atitude conspiradora, esta de provocar mudanças, no nosso caso evitar ou mitigar riscos, envolve muita criatividade, relacionamento interpessoal, desenvolvimento de equipes, diversidade, logística e capacidade de gerir situações de crise. Portanto exige que tenhamos força para enfrentar a volatidade, a incerteza, a complexidade e ambiguidade das situações. Os gestores devem quebrar paradigmas, mostrar, apontar os riscos para seus superiores e cobrar soluções, pois as responsabilidades devem ser apuradas.


Sugiro aos profissionais de gestão de riscos que utilizem mais esta calamidade, infelizmente pela incompetência de gestão, como uma ferramenta de sensibilização.


Mas por favor não sejam sutis, sejam incisivos ao ressaltar as falhas e deficiências nestes inúmeros casos que a cidade e São Paulo vive e já viveu.
Utilizem ferramentas e tecnicidade e demonstrem a linha de responsabilidade, dos diretores e do presidente, para que obtenha apoio e suporte necessário.


Espero que consigamos! Boa sorte!!
Boa leitura!   

Antonio Celso Ribeiro Brasiliano, CIGR, CRMA, CES, DEA, DSE, MBS
Publisher da Revista Gestão de Risco e Presidente da Brasiliano INTERISK.

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