ESTUDO

 

Risco Político nas Eleições Presidenciais de 2018:

quais são e a magnitude dos seus impactos?

Antonio Celso Ribeiro Brasiliano, CIGR, CRMA, CES, DEA, DSE, MBS 

Publisher da Revista Gestão de Risco e Presidente da Brasiliano INTERISK.

abrasiliano@brasiliano.com.br.br

O Brasil nunca teve uma eleição, para Presidente da República, desde 1985, tão incerta e volátil, com um grau de ambiguidade e complexidade muito grande, própria da época disruptiva que o mundo está vivendo, o da Quarta Revolução Industrial, onde as mudanças acontecem com uma velocidade extremamente rápida, as vezes sem condições de acompanhar as tendências. Com este contexto VUCA, os riscos e suas consequências de curto prazo passam a ter uma potência muito grande, principalmente se tivermos nesta caminhada até o final de outubro uma radicalização de posição do estilo “nós e eles”. 

A democracia se assenta em uma oposição, onde os atores políticos, possuem um comprometimento focado com a democracia em si, muito maior do que em derrotar os “inimigos”. No Brasil, estamos neste nível ou no patamar da radicalização ainda, o que significa imaturidade política? É um risco?

Ultimamente estou lendo, em quase todas as revistas e jornais, além das redes sociais, jornalistas e cientistas políticos, escreverem que a democracia brasileira corre risco em função de uma polarização de posição, entre a “turma A” e a “turma B”. Ou seja, o que vale é ganhar e derrotar o adversário, as regras vão para o espaço. 

No nosso tabuleiro político de xadrez, é composto de inúmeros atores, são eles: o presidente, o legislativo, o Judiciário, os militares, a imprensa, os partidos, os candidatos, as associações empresariais, os sindicatos, os movimentos sociais e a sociedade brasileira. De uma certa forma, desde a década de 90, primeira eleição direta que o Brasil teve, todos estes atores estão se comportando dentro de certos parâmetros, que considero razoável. 

O Brasil já passou por inúmeras crises econômicas e políticas, e conseguimos ultrapassar sem grandes traumas, inclusive porque o mundo de forma geral não mais tolera também, nos governos ocidentais, golpes militares. Neste caso o legislativo e o Judiciário brasileiros acabaram se fortalecendo, mesmo depois do impeachment do Presidente Collor de Melo, em 1992. O Executivo e legislativo tiveram que aprender a compartilhar o poder e a criar coalizões. Ponto importante: nossa economia deu início ao crescimento de 1995 a 2013, depois de graves soluços e surtos de hiperinflação de 1985 a 1995. Crescemos a uma taxa média na ordem de 3% ao ano. 

Mas de 2013 para cá o Brasil caiu em uma grande recessão, além de ser envolvido em um dos maiores escândalos de corrupção da história brasileira e democrática mundial, o que teve como consequência a prisão e envolvimento de um número grandioso de “medalhões” da nossa política e do empresariado brasileiro. Para colocar mais gasolina nesta fogueira, a questão da segurança pública brasileira, com raras exceções, faliu, o que ocasiona, hoje, uma das maiores taxas de homicídios em termos de padrões internacionais. 

Diante deste cenário caótico, os atores do tabuleiro político, passam a serem testados, optando, como vendo única saída ações mais rígidas consideradas antidemocráticas, acreditando que a sociedade aprova, o que também não é uma mentira por si só. 

Em artigo que paper em junho deste ano, sobre a greve dos caminhoneiros, e colocamos no nosso site, levantei 17 riscos que considerei, na época estratégicos para o mundo corporativo, entre Políticos, Mercado, Social e Operacional. Dissertei na época sobre a questão da interconectividade entre eles e suas correlações, que teriam efeitos exponenciais. Levantei a hipótese de que os caminhoneiros poderiam causar uma disrupção democrática, quando pediram a intervenção militar.

Ora, de lá para cá, o cenário, só piorou, pois a sociedade como um todo, perdeu a confiança nas principais instituições, principalmente nos três poderes, conforme relatei no ponto de vista desta edição, o que leva a um descrédito na própria democracia.

Segundo pesquisas de opinião realizada em 2017, 60% da população brasileira quer um presidente desvinculado dos três principais partidos: PT, PSDB e MDB, mais de 75% não se identificam com nenhum partido, apenas 13% acham que a democracia funciona bem (menor taxa de toda América Latina); e o assustador é que 33% da população brasileira apoia um golpe militar para combater a corrupção e a criminalidade. Nosso cenário é desalentador, pois com uma taxa de desemprego que assola 13 milhões de brasileiros, um PIB beirando 1,9%, as vendas caindo em torno de 18%, fica muito complicado nosso cenário.   

A incerteza política, portanto ficou extremamente alta, principalmente depois do atentado do Candidato Bolsonaro. Estamos no olho do furacão, uma tempestade perfeita, conforme afirma o americano Steven Levitsky, professor da Universidade de Harvard, porque estamos na confluência entre a corrupção sistêmica e a crise econômica profunda. O professor Levitsky disse ainda: “uma única entre essas duas situações já seria desafiadora. As duas ao mesmo tempo é um duro teste para qualquer democracia”, em entrevista à Revista Exame da semana de 13 de junho de 2018.

Os 17 riscos identificados, em junho foram: 

A interconectividade entre eles demonstrou que o risco de Conflito Interno, radicalização e polarização de posições políticas, integrados com a volatidade  da taxa de juros, câmbio do dólar e a paralização da economia favorecem a um cenário de eleição de um candidato mais rígido e sem vinculação com os partidos consagrados – PT, PSDB e MDB.  

A criticidade dos riscos é preocupante, pois a chance de termos polarização passa a ser grande, nós ou eles, o que pode levar a confrontos diretos entre os partidários dos candidatos, caso estes não façam discursos conciliadores. Este tipo de discurso aconteceu na semana do atentado, mas logo em seguida os candidatos mais radicais começaram a voltar a atacar uns aos outros, inclusive utilizando palavras de baixo calão, o que incentiva e favorece a este tipo de cenário, na medida que o primeiro turno se aproxima, e a briga para a disputa de quem entra para o segundo turno, caso haja, fica mais acirrada e agressiva entre os candidatos abaixo de Bolsonaro.  

Agora o mais interessante são os atores, medindo o PMA – Ponto de Motricidade dos Atores, onde colocamos 0 ou 1 na influência ou não do risco, podemos vislumbrar os atores mais motrizes: 

Os candidatos possuem maior motricidade na influência dos cenários de curto prazo, seguidos pelos seus partidos políticos, imprensa com uma influência muito forte, o que confirma sua importância vital nesta eleição, as mídias sociais e a imprensa em geral. A Presidência da República aparece em terceiro lugar por ser responsável por quase todos os riscos, de forma indireta e direta, dependendo de seu pulso, negativo ou positivo. A sociedade brasileira e o judiciário aparecem em oitavo lugar, os dois últimos, porque não podem influenciar as questões ligadas a economia. A sociedade é a que sofre as consequências e o judiciário só poderia agir em caso de intervenção em julgar as causas, fornecendo segurança jurídica. As Forças Armadas tiveram uma pontuação pequena, estando em sétimo, porque estes riscos não dizem respeito de forma direta, só poderiam agir em caso de uma anarquia ou falta de autoridade pública.     

Os cenários que podemos traçar de curto prazo, até 30 de outubro de 2018 para o Brasil, seria, de acordo com a Matriz de Priorização, caso nada de novo venha acontecer.

Poderemos ter, com grandes chances, a polarização das campanhas, a divisão da sociedade entre nós e eles, o que leva a radicalização, com crescimento massivo do ativismo social, o que pode gerar um aumento expressivo da violência entre os partidos políticos. 

Neste caso, com o objetivo de manter a ordem, o Presidente pode fazer com que o governo acione a Lei da Garantia da Ordem com tropas das Forças Armadas nas Ruas, fornecendo para a população uma sensação de segurança, mas com risco da paralização de algumas atividades essenciais para o Brasil.  

É um cenário, que torço para que não aconteça, que os candidatos mudem seus discursos e que possamos ser mais conciliadores, valendo a regra da democracia. Temos algumas vantagens que podem fazer reverter este quadro  de hoje, nossa imprensa é mais sólida e o Judiciário, apesar de mostrar traços partidários, ainda não está contaminado, portanto é um forte pilar, fazendo valer a segurança jurídica. Os militares, por sua vez, são muito mais maduros do que nossos vizinhos andinos – Peru, Venezuela, Equador, Bolívia, que se aventuraram em passado recente, portanto os militares brasileiros possuem um norte bem delineado, orientados pela constituição. 

Mas o Brasil é uma nação jovem, e a nossa sociedade anda muito infeliz.

É difícil não ficar com a pulga atrás da orelha. É difícil não ficar preocupado! 

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