GESTÃO

 

Nossa memória e história viraram pó por falta de gestão de riscos

Antonio Celso Ribeiro Brasiliano, CIGR, CRMA, CES, DEA, DSE, MBS 

Publisher da Revista Gestão de Risco e Presidente da Brasiliano INTERISK.

abrasiliano@brasiliano.com.br.br

O Museu Nacional, localizado na cidade do Rio de Janeiro com todo seu acervo de quase 200 anos, o mais antigo do Brasil, virou pó, ao ser consumido pelo incêndio no dia 02 de setembro de 2018. Tragédia anunciada. Sem condições de reparo.

O Brasil perde sua história, e, sem história não há inovação. Uma sociedade que não consegue preservar a sua memória, não consegue evoluir, muito menos inovar. A sociedade fica idiotizada, pois deixa de conhecer suas origens e valorar sua cultura. 

O Museu Nacional, localizado na Quinta da Boa Vista, está localizado no palacete imperial, fundado por Don João VI, em 1818 e continha em seu acervo mais de 20 milhões de itens, com perfil acadêmico e científico, com coleções focadas em paleontologia, antropologia e etnologia biológica. Menos de 1% estava exposto. Este ano o Museu Nacional, comemora 200 anos e recebeu de presente esta tragédia. 

 

O que não entendemos é que apesar da estupidez da falta de recursos, falta de verba em tratar e prevenir a instalação com equipamentos de detecção e combate ao fogo, é a falta de visão crítica e posso até dizer: coragem em colocar o “bode na sala”. “Bode na sala” significa colocar o problema na sala, que é um problema grande e que causa incômodo porque cheira mal. Uma forma de ter colocado o bode na sala era ter interditado o museu, por falta de segurança. 

O Museu Nacional estava em péssimas condições, condições elétricas totalmente fora de padrões, expostas, não existia sistemas de detecção, combate, não possuía equipes especializadas. 

Chegamos ao limiar da incompetência quando o Corpo de Bombeiros chegou para dar o combata ao fogo, não tinha de onde captar água e ainda teve que pedir suporte de carros-pipas cedidos pela Companhia de Água e Esgoto da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro. 

Falta para os gestores, neste caso público, a atitude de segurador, a atitude pré-ativa: se preparar para as mudanças possíveis porque sabe que a reparação é mais cara que a prevenção e a de conspirador, atitude proativa: que atua no sentido de provocar mudanças desejadas, tentando evitar o risco. Neste caso, o risco de incêndio.

A atitude dos nossos gestores é de puro amadorismo, para quem administra uma entidade pública de extrema importância como a do Museu Nacional. Se o Governo Federal não possui visão ou competência e responsabilidade de repassar verba, cabe ao gestor então interditar a instalação por falta de segurança. Com a interdição realizada, o bode estaria na sala, chamaria a atenção da mídia, pois as visitações estariam suspensas, atividades acadêmicas e de pesquisas paralisadas, poderiam haver manifestações, e ai soluções teriam que surgir, através do Ministério Público. 

Era uma tragédia anunciada porque os gestores já sabiam que as condições eram péssimas e o grau de risco muito alto de ter problemas na instalação do Museu. Então pergunto: esperava o que? Um milagre? Que mandando ofício e cartas a verba viria automaticamente? 

Desculpem, sei que gritar e falar após o acontecido, parece fácil, mas a gestão do Museu Nacional, a cargo da Universidade Federal do Rio de Janeiro, neste caso, bobeou, não souberam utilizar a tecnicidade, que a própria UFRJ possui sobre gestão de riscos em sua defesa. 

O Brasil é mestre em perder seus museus com incêndios, em 1978 o MAM, Museu de Arte Moderna, também no Rio de Janeiro foi consumido pelas chamas, perdendo telas de Picasso, Mirá e Dali e de centenas de brasileiros, em apenas 40 minutos de incêndio. Somente 50 peças restaram das mais de mil peças existentes. Só para que tenhamos uma ideia da repercussão, só em 1990 é que o Brasil reconquistou a confiança de instituições internacionais para sediar exposições de grande porte. 

Mesmo assim, nos últimos 10 anos, o fogo, consumiu 7 museus e teatros brasileiros: 

1) 2008, Teatro Cultura Artística – São Paulo;

2) 2010, Instituto Butantã – São Paulo;

3) 2013, Memorial da América Latina;

4) 2013, Museu de Ciências Naturais da PUC de Minas Gerais, Belo Horizonte;

5) 2014, Liceu de Artes e Ofícios, São Paulo;

6) 2015, Museu da Língua Portuguesa;

7) 2016, Cinemateca Brasileira.  

 

Estes exemplos acima, demonstram nossa total imaturidade e também a falta de responsabilidade com o processo de gestão de riscos que os administradores públicos devem ter com nosso patrimônio.

Quando vamos melhorar? Somente com a dor, apanhando?  Espero que não!!

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