CENÁRIOS

 

Quarta revolução industrial, 
a era da conectividade onipresente.

Kelly Mendes
Especialista em Gestão de Riscos Corporativos e Compliance. MBA em Gestão Riscos Corporativos pela Brasiliano INTERISK. Pós-graduação em Administração com especialização em Desenvolvimento Gerencial pela FAE Centro Universitário. Coordenadora de Compliance e Gestão de Riscos de uma Operadora de Planos de Saúde

Muito tem se falado na 4ª Revolução Industrial, mas quanto realmente ela está modificando o nosso mercado? Estamos preparados para participar desse novo contexto, seremos protagonistas ou meros expectadores?

Toda revolução industrial é impulsionada por inovações, que comumente se manifestam com as novas tecnologias. Quando estas inovações tornam-se baratas o suficiente para serem escaladas e difundidas, elas mudam uma sociedade. As quatro revoluções industriais conceberam mudanças e transformações significativas em nossa sociedade. Muitas pessoas saíram das comunidades agrícolas e foram para fábricas, a eletricidade e os sistemas de produção em série mudaram a forma como as pessoas viviam e trabalhavam. E, agora a revolução da inteligência tem causado rupturas em todo o mercado com a transformação digital, e mais uma vez, o modo de como a pessoas vivem, trabalham e interagem sofre mudanças importantes.

Bem-vindo à 1ª Revolução Industrial, o início da era da produção mecanizada.

Tudo começou no final do século XVIII na Inglaterra, foi o momento em que a humanidade vivenciou seu momento épico, de profunda transformação econômica, tecnológica, política e social, dando início à era do capitalismo.

O grande impulsionador foi o motor a vapor, com ele o trabalho que dependia exclusivamente da força humana foi substituído pelo maquinário. O impacto foi espantoso, os indicadores econômicos e os lucros apresentaram crescimentos nunca vistos, o mercado ficou aquecido com a projeção de novas indústrias. 

Iniciou aí a profissionalização do trabalho e junto dela, surgiu o trabalhador. Não demorou muito para que as teorias e modelos de gestão tomassem corpo, anos depois o mundo sentiria na pele a ascensão do mercado de consumo, o movimento que teve início nos EUA se espalhou rapidamente pelo mundo, baseado no conceito de que o cliente seria o centro das atenções, iniciou-se o pensamento estratégico de gestão.

A 2ª Revolução Industrial, a era da ciência e da produção em massa.

O conceito havia sido implantado, a busca pelas descobertas e invenções agitavam o mercado, o mundo já consumia produtos industrializados e fabricados na Inglaterra, EUA, França, Bélgica e Japão. A descoberta e a aplicação de novas fontes de energia transformaram ainda mais a produção industrial. No fim do século XIX, o mundo experimentava o conforto proporcionado pelo uso da eletricidade, petróleo, química e aço. 

Na procura do aumento de lucro, levou-se ao extremo a especialização do trabalho, a produção foi ampliada passando-se a produzir artigos em série, o que barateava o custo por unidade, sugiram assim as linhas de montagem, esteiras rolantes por onde circulavam as partes do produto a ser montado, tornando o processo dinâmico. O precursor foi Henry Ford, cujo método de racionalização de produção foi chamado de “Fordismo”. 

A partir daí surgiram grandes indústrias e grandes concentrações econômicas, que formaram trustes, cartéis e holdings. 

A 3ª Revolução Industrial, a revolução digital.

Para alguns, a 3.ª Revolução Industrial teve início nos Estados Unidos e em alguns países europeus, quando a ciência descobriu a possibilidade de utilizar a energia nuclear do átomo; para outros, teve início em meados da década de 70, com o descobrimento da robótica e a criação do CLP - controlador lógico programável (tipo especial de computador muito utilizado não somente na indústria, mas em controles de máquinas e processos em diferentes aplicações) para os últimos dissidentes, a 3.ª Revolução Industrial teve início nos anos 1990, com o uso do computador pessoal e da internet. 

Não importa quando, mas como, pois trata-se de uma das maiores transformações que a humanidade vivenciou até então, de transformação dos sistemas produtivos, responsável pela integração da ciência, tecnologia e produção. As grandes transformações do período são o desenvolvimento da química fina, biotecnologia, genética, escalada espacial e robótica.

A 4ª Revolução Industrial, a era da inteligência.

A 4ª Revolução Industrial, ainda incipiente no Brasil, é caracterizada pela integração das diversas tecnologias, tanto físicas quanto digitais. Segundo Klaus Schwab a 4.ª Revolução Industrial “é caracterizada por uma internet muito mais móvel e global, por sensores menores e mais poderosos e por inteligência artificial e machine learning.”. 

Os fatores direcionadores das mudanças incluem a redução do custo da computação e de dispositivos conectados, a facilitação na implementação de algoritmos de Inteligência Artificial, a diminuição vertiginosa do preço do sequenciamento genético e a Internet das Coisas – IoT.

O Fórum Econômico Mundial de 2016 destaca que a Indústria 4.0 idealiza uma descontinuidade do padrão de produção até então vigente e se dirige aos novos produtos e processos derivados dos avanços ocorridos na fronteira da ciência, como a “convergência entre info, nano, bio e neuro-cogno tecnologias, que possuem aplicação em quase todas as áreas das ciências como química, física, biologia, engenharia, medicina, e computação”.

Esse processo tem ocorrido em escala e velocidade exponenciais, afetando de forma avassaladora todas as dimensões da vida dos indivíduos e da forma como eles se relacionam entre si, propiciando assim um mundo de possibilidades e, fatalmente, também de riscos. Não se trata de uma mudança de cenário econômico, é uma mudança estratégica de posicionamento. É uma grande transformação que em alguns setores já acontece claramente e em outros afetará brevemente. 

A questão não é se a 4.ª Revolução Industrial vai ou não afetar o mercado, mas quando e o qual o tamanho do impacto dessa transformação, é muito mais do que simplesmente consumir tecnologia, passa por um novo mindset, uma nova condição de interpretar o negócio tecnológico. 

A 4.ª Revolução Industrial traz consigo uma sinergia nunca vivenciada da tecnologia com o nosso o dia a dia, como por exemplo, a inteligência artificial, big data, blockchain, novas tecnologias computacionais, realidade virtual e aumentada, biotecnologia, robótica, impressão 3D, transmissão, armazenamento e captura de energia, Internet das Coisas (“IoT”), dentre outras.

A Internet das Coisas talvez seja a maior transformação já vivenciada, é uma rede de objetos do nosso dia a dia, tais como equipamentos, maquinários, eletrônicos, eletrodomésticos, veículos, prédios, dentre outros que possuem tecnologia embarcada, sensores e conexão com a rede, capazes de coletar e transmitir dados. 

A proposta da IoT é de que a conectividade contribua para que os objetos se tornem mais eficientes ou que possa receber atributos complementares, sem interação humana, dessa forma é possível analisar dados de toda a produção e identificar problemas antecipadamente, permitindo que os processos sejam mais rápidos  flexíveis e eficientes, possibilitando produzir bens de alta qualidade a custos reduzidos. Trata-se de uma tecnologia revolucionária que oferece o potencial para inovações e melhorias significativas a ambientes sociais e cooperativos. 

As “coisas” conectadas e inteligentes já fazem parte do nosso dia a dia e tem colaborado na construção de carros autônomos, assistentes virtuais casas inteligentes, a melhorar o diagnóstico de imagens de saúde, transformando assim o mundo físico, digital, o biológico e ainda das cidades.

As cidades inteligentes podem ser comparadas a sistemas cyber-físicos em ampla escala, com sensores que monitoram indicadores virtuais e físicos, capazes de mudar de forma dinâmica o ambiente urbano complexo. Esses estudos permitem que os governos possam repensar as estruturas organizacionais e infraestruturas, como por exemplo, usar de maneira responsável recursos importantes, como energia, água, alimentos e outras matérias-primas. Se não houver infraestrutura adequada, o crescimento urbano desenfreado e não planejado ameaça o desenvolvimento sustentável. Indústrias, organizações de tecnologia e governos têm trabalhado para melhorar a vida urbana oferecendo utilização de energia ou serviços mais eficientes. Alguns grandes exemplos de sucesso de Cidades Inteligentes são Santander na Espanha, Cingapura e Boston.

Quem é o profissional do futuro?

A 4.ª Revolução Industrial traz uma imensa ruptura tecnológica. Em um mercado linear fazer o certo coloca o profissional no patamar de bem sucedido, na era digital não faz sentido decorar nomes, fórmulas ou desenvolver técnicas em um prazo curto de aplicação, o profissional do futuro tem que se dedicar a aprender para sempre! O futurista Alvin Toffler afirmou que o analfabeto do século XXI não será aquele que não souber ler ou escrever, mas aquele eu não souber aprender, desaprender e reaprender. 

Klaus Schwab, fundador do Fórum Econômico Mundial (WEF), destaca que a união de tecnologias digitais, físicas e biológicas modificará drasticamente não apenas o modo como vivemos, mas a maneira como trabalhamos, sendo assim, alguns trabalhos desaparecerão e outros, que ainda não existem se tornarão comuns. 

Segundo o WEF, o profissional deve deter as seguintes habilidades fundamentais para prosperar no mercado de trabalho do futuro:

1. Resolução de problemas novos e indefinidos em ambientes reais, construída a partir de uma base sólida de pensamento crítico.

2. Pensamento crítico, que envolve lógica e raciocínio. 

3. Criatividade para conectar informações aparentemente diferentes e, a partir dessa conexão, construir novas ideias para apresentar algo inovador. Mesmo com toda a ascensão da tecnologia avançada, as máquinas não têm, ainda, a capacidade criativa do ser humano. 

4. Gestão de pessoas, o capital humano é um bem valoroso e preciso saber motivar equipes, maximizar a produtividade e responder às necessidades dos funcionários, conectada à inteligência emocional.

5. Cooperação, habilidade de se comunicar, trabalhar com pessoas de diferentes personalidades e, acima de tudo, lidar com as diferenças encontradas em cada uma delas.

6. Inteligência Emocional para reconhecer e avaliar as emoções de outras pessoas, estabelecer empatia com esses sentimentos e produzir os resultados desejados, além de identificar os próprios sentimentos.

7. Julgamento e tomada de decisões a partir da análise de números, encontrar insights nas informações analisadas e utilizar-se de Big Data para tomar decisões estratégias nas empresas. 

8. Orientar corretamente e conhecer seus clientes.

9. Negociação com colegas, gestores, clientes e equipes nunca foi tão necessário.

10. Flexibilidade cognitiva que envolve ampliar as maneiras de pensar, imaginando diferentes caminhos para resolver os problemas que surgem diante de nós, saindo da zona de conforto e se relacionando com pessoas que desafiam suas visões de mundo.

Conclusão

As pessoas estão cada vez mais conectadas. Tornou-se tão corriqueiro que já não nos espanta. Sobre o novo mercado, tudo são possibilidades e especulações, mas indicadores apontaram que em 2017, mais de 3 bilhões de pessoas estiveram conectadas à Internet e mais de 2 bilhões usaram o Facebook. 

Meio século após o início da 3ª Revolução Industrial ainda estamos nos acostumando com o fato de que os computadores estão mudando o mundo, mas será na 4ª Revolução Industrial que vivenciaremos a ruptura da forma como os seres humanos vivem, trabalham e se relacionam. Aqueles que nascerem nessa revolução certamente serão beneficiados pelo efeito combinatório dos mundos biológico, físico e digital e participarão dos avanços das ciências, medicina e outras tecnologias que contribuirão para a eliminação de diversas doenças que conhecemos.

Com a interconectividade global, a mudança está acontecendo muito mais rápido do que em qualquer outra revolução. As novas tecnologias poderão ser empregadas para assegurar a possibilidade de contribuir e dividir da riqueza, proporcionando condições honestas de vida às pessoas e ainda garantir a promoção da dignidade humana ao assegurar condições materiais para o atendimento de suas necessidades básicas e para o desenvolvimento dos seus potenciais.

Referências 

SCHWAB, Klaus. A Quarta Revolução Industrial. São Paulo, 2016. 

MAGALDI, S., SALIBI J., Gestão do Amanhã. São Paulo, 2018. 

As 10 habilidades do profissional do futuro. Futuro Exponencial. 27 de março de 2017. Disponível em <https://futuroexponencial.com/10-habilidades-profissional-futuro/>. Acesso em 31 de outubro de 2018.

Indústria 4.0, 16 de outubro de 2017. Disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=9ppmvlsd7wm>.Acesso em 02 de novembro de 2018. 

Indústria 4.0: Preparados para Revolução?, Deloitte Brasil, 11 de julho de 2018. Disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=DL-DS9A8nvE> Acesso em 03 de novembro de 2018.

O Profissional do Futuro. Michelle Schneider, Tedxfaap, 05 de julho de 2018.  Disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=9G5mS_OKT0A>. Acesso em 30 de outubro de 2018.

O que é indústria 4.0 e quais os seus impactos no futuro? [futurecom 2016],     19 de outubro de 2016. Disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=f37piMKrIJ8>. Acesso em 01 de novembro em 2018.

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