PONTO DE VISTA

Desconstrução da Imagem do Presidente Bolsonaro

Fiquei perplexo e atônito nesta primeira quinzena de janeiro de 2019, com a mídia escrita escrevendo absurdos sobre o governo do Presidente Jair Bolsonaro, incluindo seu perfil. J.R.Guzzo, articulista da Revista Veja e da Revista Exame, publicou na Veja do dia 23 de janeiro de 2019 um artigo na última página intitulado “NEM ÁTILA”. 

Pois bem, neste artigo ele descreve “que talvez haja um outro probleminha com a imprensa brasileira de hoje. Um deles é que a mídia está começando a revelar sintomas de Alzheimer, ou de alguma outra forma de demência ainda mal diagnosticada pela psiquiatria... Até Átila precisaria de mais de duas semanas de governo para mostrar toda a sua ruindade... Um governo só pode ser avaliado depois que se constate se as coisas melhoraram ou pioraram em consequência das decisões que pôs em prática. O número de homicídios, por exemplo aumentou ou diminuiu depois de doze meses? A inflação está em 2% ou em 20%? O índice de desemprego caiu ou subiu? E por aí vamos. Ou seja: ainda não aconteceu, mas o governo já errou. A condenação começou no dia da posse de Bolsonaro e dali até hoje não parou mais.” 

No meu ponto de vista é uma orquestração exagerada e sem qualquer argumentação lógica, a não ser a ideológica. Aí voltamos na questão da polarização “Nós e Eles”. Quer dizer, a mídia alimenta esta fogueira contínua, visando manter a chama da discórdia acesa. Só pode ser isso! Não há outra explicação. O que os nobres jornalistas devem entender é que os brasileiros hoje vivem, neste momento, entre a esperança e o medo. O psicanalista Lacan e os filósofos Sêneca e Hécato de Rodes (100. A.C.) escreveram que a esperança jamais pode sobrepor-se
ao medo ou vice-versa. Lacan lembrava que ambos eram complementares, quando uma pessoa espera que algo de bom aconteça ela é automaticamente invadida pelo medo de que o evento não seja realizado. O filósofo estóico Hécato de Rodes dizia que o medo só cessa quando paramos de alimentar as esperanças. O prêmio Nobel de 1961, Ivo Andric, influenciado pelos autores acima, escreveu: “Entre a esperança de que algo ocorra e o medo de que nada aconteça, resta um espaço. Ele é maior do que supomos. É nesse espaço duro, infértil e escuro que muitos de nós passamos a vida.” Ou seja, eu chamo este espaço de “Terra de Ninguém”, a terra entre as duas trincheiras, onde não podemos ficar, temos que optar e apostar. Temos que arriscar.

Outras mídias como o jornal Le Monde Diplomatique Brasil, ano 12, número 137, através de seu editorial escrito por Silvio Caccia Bava, já condena o governo e seus ministros com um “pacote de maldades... com a imposição da agenda de valores conservadora, condena nosso país à condição de colônia exportadora de bens primários e joga o Brasil no obscurantismo, reafirmando toda a sorte de discriminações, naturalizando a desigualdade, a exclusão das maiorias...” ou seja, o governo será uma catástrofe e o Brasil irá afundar. Um absurdo, uma cegueira que classifico como irresponsabilidade, pois como jornalistas que são, deveriam saber o que escrevem visando pensar no bem comum. Podem e devem criticar, mas não condenar sem argumentos, sem base de sustentação. 

Outro veículo que me decepcionou foi a Carta Capital de Nino Carta, de 02 de janeiro de 2019, através de Nirlando Beirão, que escreveu a matéria “O fardão dos lunáticos”, onde expôs todo o governo e também alguns artistas que apoiaram o Bolsonaro na campanha, como Carlos Vereza. A matéria é de uma falta de conteúdo que chega a doer quem a lê, pois só existem críticas infundadas. Chegou ao ridículo de escrever que Jair Bolsonaro foi expulso do Exército Brasileiro como Capitão. Vamos então ensinar ao senhor Nirlando Beirão, que não fez seu trabalho de casa, não realizou pesquisa básica. Jair Messias Bolsonaro, Capitão da Arma de Artilharia, formado pela Academia Militar das Agulhas Negras em 1977, servindo no 80 Grupo de Artilharia de Campanha, Unidade Paraquedista no Rio de Janeiro, publicou no dia 03 de setembro de 1996, um depoimento nas páginas amarelas da Revista VEJA, ressaltando sobre as dificuldades financeiras que os militares passavam, pelos baixos salários. Com este depoimento o Capitão Bolsonaro foi punido com 08 dias de prisão. Fica claro que com esta atitude corajosa o Capitão Bolsonaro angariou a simpatia não só de seus pares mas também de quase a totalidade dos praças profissionais do Exército Brasileiro, que passaram a admirá-lo pela coragem de se expor e falar o que todos queriam. Em 1987, ano seguinte, o Capitão Bolsonaro foi fazer o Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais na ESAO, onde foi acusado de tentar realizar “atos de terrorismo” ao montar um plano para detonar a adutora de Guandu. Nada disso ficou comprovado. Neste ano se candidatou a vereador pelo Rio de Janeiro e foi automaticamente reformado, no posto de capitão do Exército Brasileiro.

Fato interessante é que em 22 de outubro de 1987, às 10 horas da manhã, na cidade de Apucarana – Paraná, cerca de 50 militares do 30º Batalhão de Infantaria Motorizado (BIMtz) desembarcaram em quatro viaturas em frente à Prefeitura de Apucarana, a 60 quilômetros de Maringá. Cercaram o prédio e impediram a entrada e saída de pessoas. Na frente dos homens armados com fuzis e pistolas estava o Capitão de Infantaria, formado pela Academia Militar de Agulhas Negras em 1977, Luiz Fernando Walther de Almeida, de 34 anos.

Acompanhado por um grupo de soldados, ele invade o gabinete do prefeito e entrega ao assessor uma carta de protesto contra os baixos salários e a deficiência do atendimento de saúde aos militares. A atitude abala o Brasil, fazendo renascer o “fantasma” da ditadura, ainda vivo na memória da população. Imprensa e lideranças políticas da época repudiam a atitude, mas tudo indica que o protesto surte efeito. Na mesma noite, o então presidente José Sarney anuncia, em rede nacional, reajuste de 25% para todos os militares do Exército, Marinha e Aeronáutica. 

O Capitão Walther de Almeida prossegui na carreira militar, sendo afetado na promoção a coronel. Foi para a reserva como tenente-coronel. Quanto à punição, foi a julgamento em Curitiba, na 5ª Circunscrição Judiciária Militar, tendo sido condenado a três anos de prisão. Daí, foi julgado no Superior Tribunal Militar, em Brasília, onde a pena caiu para oito meses. Acabou beneficiado por indulto natalino e cumpriu cinco meses de prisão. Nesse período, ficou deslocado da família por dois anos. O Capitão Walther de Almeida também teve atitude em brigar pela classe militar na época, se expondo e prejudicando sua carreira.

Estes dois Capitães fizeram história no Exército Brasileiro, pois mesmo rasgando o regulamento, foi por uma nobre causa. Portanto, nenhum dos dois capitães foram expulsos do Exército Brasileiro, não saíram pela porta dos fundos, conforme a imprensa divulgou erroneamente. 

Voltando ao tema do nosso ponto de vista, a Consultoria Eurasia, uma das mais renomadas em consultoria política, mas pelo menos não mais no meu conceito, pois seu Presidente Ian Bremmer já errou por diversas vezes seu diagnóstico sobre o Brasil, insiste em classificar Bolsonaro como um líder extremamente imprevisível, não partidário de uma coalizão internacional, mas sim nacional e com esta postura traz consigo inúmeros riscos. Coloca Bolsonaro junto com outros líderes mundiais tais como Maomé Bin Salman do Qatar, Putin da Rússia, Trump dos Estados Unidos, Kim da Coréia do Norte e outros. Considero uma verdadeira viagem, pois nesta lista por exemplo, basta olhar o organograma abaixo, Maduro da Venezuela não se encontra. Estranho, pois o país está na miséria, o povo migrando em massa, manifestações na rua e a auto declaração de outro presidente da república... e a Venezuela é considerada um Mar de Rosas? Realmente não entendo a construção metodológica para essa classificação.

Há quem discorde destas opiniões, tais como o brasilianista da Universidade de Oxford, o professor Timothy Power, estudioso da política brasileira. Americano radicado na Inglaterra há mais de dez anos, tem se dedicado a estudar o Brasil desde 1990. 

Power foi um dos primeiros especialistas, antes mesmo do período eleitoral, a prever o crescimento do então deputado federal Jair Bolsonaro na corrida presidencial. Na visão deste especialista, Bolsonaro deve manter em alta sua popularidade no primeiro ano, pois apostou em dois temas que atendem as grandes expectativas população: combate ao crime e corrupção. Power observa que esses dois pilares não dependem de legislação e programas específicos para se reverter em popularidade. Falou ainda que um dos maiores ganhos políticos foi o de Sérgio Moro na luta contra a corrupção. Na visão deste brasilianista Bolsonaro foge do modelo de “presidente calouro”. Não é um homem dedicado às políticas públicas e aos detalhes do dia a dia, mas tem princípios básicos e vai depender de outras pessoas para transformá-los em políticas públicas. 

O historiador escocês, radicado nos Estados Unidos, professor na Universidade de Stanford, Niall Ferguson, que esteve no Brasil em dezembro de 2018, comentou que a comparação entre Bolsonaro e Trump são superficiais. Para ele Trump decepciona os conservadores pelo descaso com o déficit e pelo protecionismo comercial, além do completo desinteresse de reformas fiscais e previdenciárias.  Niall vê mais semelhança em Bolsonaro na revolução econômica, liberal, fazendo uma comparação agressiva com a ex-primeira ministra inglesa Margaret Thatcher, que em 1979 privatizou inúmeras estatais inglesas e realizou a abertura de mercado. 

O grande problema da constante desconstrução, pela imprensa, da imagem do Presidente Bolsonaro, é transformar sua imagem em um Risco Motriz que impulsiona outros riscos, que podem prejudicar e muito o Brasil. O principal é a nossa economia, impactando de forma direta no plano de governo em realizar   as reformas estruturais necessárias e as privatizações das estatais, que necessitam de investidores estrangeiros. Embora Paulo Guedes seja o “Posto Ipiranga”, alinhado com as expectativas do mercado financeiro, ele precisa de Bolsonaro para viabilizar a articulação no Congresso Nacional. A Matriz de Impactos Cruzados na próxima página demonstra claramente este contexto.

Como podemos observar, utilizando a ferramenta para identificar a interconectividade entre os riscos (o que um risco influência em outro) do software INTERISK, chamada de Matriz de Impactos Cruzados. 

Quadrante II: Riscos R1 (Desconstrução da Imagem do Presidente Bolsonaro) e R11 (Atitude de Reação), são riscos plotados no quadrante motriz. Ou seja, são influenciadores e ao mesmo tempo, podem se anular ente si, favorecendo ou não a concretização dos outros riscos. 

Quadrante I: riscos plotados no quadrante de ligação, que é o quadrante onde os riscos são instáveis, ou seja, eles influenciam entre si para acontecer e não acontecer, recebendo influência dos riscos motrizes. Temos os riscos R2 (reforma da previdência), R3 (privatizações), R6 (redução dos impostos), R8 (aumento da violência) e R10 (aumento do desemprego).

Quadrante III: são os riscos considerados como dependentes, aqueles que irão ser materializados caso os riscos motrizes ou os de ligação sejam concretizados. São eles:  R4 (investimentos estrangeiros), R5 (déficit fiscal), R7 (combate a corrupção) e R9 (imagem do Brasil).

Dentro do espectro acima podemos concluir que a questão da desconstrução da imagem do Presidente é extremamente maléfica para o Brasil, exigindo um esforço hercúleo, por parte dele em estar atento e responder sempre a todos os questionamentos. 

Espero que a imprensa, conforme escrito pelo colunista J. R. Guzzo, continue trabalhando democraticamente, realizando críticas, mas de forma construtiva, de forma isenta que é sua missão, pois desta forma estará a construir os alicerces da nossa nação. Para o Presidente Bolsonaro, desejo que mantenha o mesmo brilho nos olhos, que o fez escrever aquele manifesto em 1986, que de forma corajosa quebrou um “status quo”. 

O Brasil de hoje necessita desta coragem de todos os brasileiros, juntos, ajudarem a quebrarem o status quo, visando um futuro melhor para nossos filhos e netos.   

Sucesso e Sorte a todos nós!            

Antonio Celso Ribeiro Brasiliano

Publisher da Revista Gestão de Riscos e Presidente da Brasiliano INTERISK 

abrasiliano@brasiliano.com.br   

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