PONTO DE VISTA

Risco Geopolítico na Fronteira Brasileira:  A crise venezuelana traz consequências para o Brasil?

O fracasso da ajuda humanitária, alimentos e remédios, através das fronteiras da Colômbia e Brasil, fracassaram, pois as forças leais a Nicolás Maduro reagiram impedindo os caminhões de cruzarem as fronteiras. A reação venezuelana das forças do ditador Maduro foi violenta, deixando um rastro de 25 mortos, civis que tentaram cruzar a fronteira. Este fracasso da ajuda humanitária acelera várias ações de ordem prática, incluindo as de natureza econômica. Qual o próximo passo que o Brasil dará? E em que condições?

Perguntas difíceis de serem respondidas, pois qualquer iniciativa militar brasileira, seria condenada pelas Nações Unidas. Olhando para o outro lado vemos um furacão se aproximando da nossa fronteira, dia após dia, em Pacaraima, Roraima, com o aumento da leva de venezuelanos que fogem, tendo que largar tudo para trás, consequência das atividades produtivas paralisadas. Hoje a Venezuela virou um palco de protestos contínuos sem fim. A população passa literalmente fome e vive na miséria. É comum reportagens internacionais “clicar” imagens de venezuelanos, de qualquer idade e nível social, catando comida de caminhões de lixo. 

A economia venezuelana foi destruída, com uma hiperinflação de 400% no semestre, o poder de compra da população caiu abaixo da linha do horizonte. Nem na Alemanha, após a Primeira Grande Guerra, teve uma situação como esta!

A Venezuela possui uma bacia de petróleo na ordem de 302 bilhões de barris, enquanto a Arábia Saudita possui 266 bilhões de barris. Portanto a Venezuela deveria ser o país mais bem estruturado da América Latina. Possui mercado e grande interesse internacional, mas sua produção está praticamente paralisada, 1,1 milhão de barris/dia, que significa menos de 1/3 do que já conseguiu. Este desequilíbrio volatizou o preço do petróleo como também a oferta global. 

O Brasil foi ameaçado pelo Maduro de corte de energia para o Estado de Roraima (único estado brasileiro que não está conectado ao Sistema Interligado Nacional – SIN de fornecimento de energia elétrica. Roraima não recebe energia das hidroelétricas brasileiras, parques eólicos e outras usinas que atendem o restante do Brasil. Roraima recebe energia de duas maneiras: usinas termoelétricas movidas a diesel e a outra através de importação da Venezuela, através da CIA CORPOELEC. No passado recente Roraima recebia 80% da Venezuela e 20% das termoelétricas. Com o Governo de Maduro indo a pique, segundo a ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica, em 2018, Roraima teve 72 blecautes por falhas nas linhas de transmissão. Isso fez com que as termoelétricas fossem mais acionadas, o que encarece todo o processo. A solução só será definitiva para fins de 2021, com o término da Construção, pela Eletro Norte, da Linha de Transmissão Manaus – Boa Vista. 

Outro problema com a crise da Venezuela foi o desequilíbrio da balança comercial, que caiu de US$ 6 bilhões de dólares para US$ 740 milhões de dólares em 2018. Isto porque ninguém quer vender ou comprar mercadorias, obviamente, para um país que não possui nenhuma credibilidade. Além do mais hoje com dois presidentes da república, situação inusitada. 

Existe ainda um terceiro ponto, que considero o tiro de misericórdia: No final de janeiro de 2019, todos os ativos da empresa Venezuelana de Petróleo PDVSA foram bloqueados, incluindo a subsidiária, CITGO, no Texas, que tinha a diretoria toda escolhida por Maduro. Como os Estados Unidos reconheceram como líder do país o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, a diretoria de Maduro foi destituída pelos próprios funcionários a favor de Guaidó. Os americanos são os maiores clientes da Venezuela, que cortando a importação reduzirá o PIB venezuelano na ordem de 39%. Ou seja, um tiro de canhão no regime de Nicolás Maduro. Resta para ele os mercados da Europa, que também não comprarão em função do reconhecimento de Guaidó, China, mas a Venezuela deve muito para ela, portanto só abateria sua dívida, não recebendo liquidez. Restou apenas a mãe Rússia. 

Esta nova peça no xadrez da Geopolítica passa a ser estratégica, similar com a crise dos mísseis de Cuba, na década de 1960. Passou a ser um jogo de estratégia. A mãe Rússia estaria complicando sua relação com os Estados Unidos, que Trump teria o apoio do Congresso americano para evitar que isso acontecesse.

E o quarto problema é a vinda do Juan Guaidó para o Brasil, dia 28 de janeiro, quando se encontrou com o Presidente Jair Bolsonaro. Guaidó busca apoio para uma ofensiva militar internacional contra Maduro. Ele saiu da Venezuela contrariando as ordens da justiça de não deixar o país. Retornou para a Venezuela, no sábado dia 04 de março de 2019, em voo comercial. Esta atitude foi sinal de determinação, já que seria impossível um fugitivo da justiça passar pelo serviço de imigração. Aliás a equipe de imigração o recebeu com “seja bem-vindo presidente”. Diplomatas europeus e do Chile foram ao aeroporto recepciona-lo. Foi recepcionado por centenas de partidários, vestidos de branco e com bandeiras da Venezuela. Marcou novas manifestações para sábado dia 09 de março, onde irá anunciar novidades.   

O Brasil na Reunião do Grupo de Lima, dia 25 de janeiro, tomou posição de não intervenção militar. A solução deve ser diplomática. Os americanos não descartam a utilização do uso da força para resolver a questão. 

Os cenários são de maior probabilidade de uma guerra civil, com grupos paramilitares pró-Maduro, utilizando violência em caso de queda do regime. Esta é a opinião do professor Vinícius Vieira, professor de Relações Internacionais da FGV. 

Nosso Vice-Presidente, General Mourão, afirmou ao término do encontro do Grupo de Lima, o tom pacifista do Brasil e que é possível devolver a Venezuela a democracia sem qualquer medida extrema. Na visão de Guaidó isso pode levar tempo, e tempo é o que a Venezuela não possui.

O Brasil paga para ver ou age? Usaremos a Teoria dos Jogos para tomada de decisão? Os jogos que o matemático americano, ganhador do prêmio Nobel, John Nash, elaborou para ajudar os Estados Unidos nas questões de Segurança e Estratégia Militar, O Dilema do Prisioneiro e Chiken. Utilizados na crise dos Mísseis de Cuba, pelos Estados Unidos com a União Soviética.   

Contexto volátil e incerto!  

Sorte a todos nós! Boa Leitura e reflexão!!

Antonio Celso Ribeiro Brasiliano
Publisher da Revista Gestão de Riscos e Presidente da Brasiliano INTERISK | abrasiliano@brasiliano.com.br   

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