PONTO DE VISTA

Brasil com grande exposição ao Risco Político: Interconecta ao Risco Econômico!

Hoje a interconectividade entre os riscos é uma realidade pela velocidade dos negócios e também pelas inovações e os próprios negócios disruptivos. O grande desafio do gestor de riscos é manter seu radar focado nos riscos e eventos de maior motricidade, que se materializado podem comprometer os objetivos estratégicos da corporação. O risco político no Brasil, é hoje, um dos mais sensíveis, pois se refere às decisões do governo e de seus atores, legislativo por exemplo, que podem alterar o resultado esperado e o dado valor de uma ação econômica.

O risco político enfrentado pelas empresas pode ser definido como o risco da perda da estratégia, financeira ou pessoal, devido a tais fatores não comerciais, como políticas sociais e macroeconômicas, de ordem fiscal, monetária, comercial de investimento, industrial, renda, trabalho e de desenvolvimento. Temos também o lado relacionado à instabilidade política pura, gerando terrorismo, tumultos, probabilidade de golpe de estado, guerra civil e insurreição. 

Isso tudo pode ser devido à expansão internacional sem precedentes dos riscos em todo o mundo, os profissionais de risco das corporações devem agora estar preparados para praticamente qualquer tipo de ameaça política ou econômica em mercados desenvolvidos e / ou emergentes. 

No Brasil estamos vivenciando o risco político resultante da inércia do Presidente Bolsonaro em não tomar a dianteira para levar aos parlamentares a reforma da previdência. A Reforma da previdência é um fator crítico de sucesso para que o Brasil possa deslanchar, o mercado de investidores nacionais e estrangeiros estão na expectativa que esta ação aconteça, ainda neste primeiro semestre. 

O governo de Jair Bolsonaro tem que fazer alguma articulação, caso contrário, corre o risco de paralisação ou de simplesmente a reforma da previdência não passar, não ser aprovado na Câmara dos Deputados, o que seria desastroso para o Brasil.

O governo está sendo bombardeado pelas mídias com cobranças sobre sua paralisação, em função do Presidente Bolsonaro não querer entrar no “velho jogo” toma lá da cá, mas terá que conquistar apoio e votos para o projeto da reforma da previdência, tido como impopular. Não tem jeito. Terá que se mexer para não desandar todo o processo de governabilidade. 

O clima político brasileiro, nestas últimas semanas azedou ainda mais com as desavenças do ministro da justiça Sergio Moro e o Presidente da Câmara Rodrigo Maia, que resolveu adiar a tramitação do pacote anticrime, ocasionando um desentendimento público entre o ministro e o presidente da câmara. Esta atitude de Maia fez com que houvessem críticas dos Bolsonaristas nas Redes sociais, inclusive pelo filho mais novo do Bolsonaro, Carlos, que classificou Maia como sendo da “velha política”. Maia chegou a ameaçar de romper de vez com Jair Bolsonaro, sendo ele um elo importante, pois é o fiador do projeto da reforma da nova previdência. 

O segundo tempero azedo foi a prisão de Michel Temer e do ex-ministro Moreira Franco, os dois pela Lava Jato e símbolos da “Velha Política”. Ressalva importante é que Moreira Franco também foi governador do Rio de Janeiro e é sogro do Presidente da Câmara Rodrigo Maia. Pinta um ar de doce veneno! Será? 

Acabou que Maia não rompeu, ou seja, não virou as costas para a reforma da previdência, por sua importância política e econômica para o Brasil e claro, mas também capitaliza bônus em cima deste projeto. O contexto é, na minha opinião, crítico! Pois é responsabilidade do Palácio do Planalto e não do congresso a conquista do projeto. 

Maia mesmo assim critica Bolsonaro, afirmando que:

“O Presidente da República possui a responsabilidade de conduzir a aprovação da reforma. Ele precisa ter um embasamento maior. Ele precisa ter mais tempo para cuidar da previdência e menos tempo para ficar cuidando do twitter”. 

Portanto estamos diante de um grande Risco Político, com consequências massivas para o Brasil, caso a reforma não saia ainda este semestre.  

Sem Maia não há reforma. Em dezembro de 2017, depois de uma série de atritos com o então presidente Michel Temer, Maia simplesmente engavetou o projeto da reforma. A proposta não durou e Temer não aprovou mais nada.

O mercado acompanha de forma direta e incisiva o desfecho desta situação. A bolsa de valores de São Paulo, depois de bater o nível recorde de mil pontos no dia 19 de março, fechou o índice Bovespa no dia 22 de março em 93,720, na pior semana desde agosto de 2018. As ações ficaram no vermelho na sexta-feira (dia 22/03), com quedas expressivas em Blue Chips como Petrobrás e bancos. Consequência da instabilidade e indícios de não governabilidade, por parte do presidente Bolsonaro.

Na primeira e segunda semana de abril serão cruciais para o governo conseguir consertar a relação com os parlamentares ou já começaremos em posição de grande desvantagem, pois sem Reforma da Previdência, não tem como o governo Bolsonaro decolar. Simplesmente o Brasil está quebrado. As contas não fecham. Não haverá dinheiro no mercado!

A bancada do governo sequer conseguiu escolher o nome do relator para a reforma da previdência na comissão de constituição e justiça, etapa considerada fácil pelos parlamentares, hoje quando escrevo este ponto de vista, domingo 24 de março de 2019.

Os parlamentares podem, como medição de força, tirar a Polícia Federal da alçada de Sergio Moro ou aprovar um decreto legislativo derrubando a medida do Presidente Jair Bolsonaro que dispensa vistos de turistas dos americanos, retorno da doce vingança. Será? 

Outras rusgas ainda marcam os parlamentares, tais como o ministro Paulo Guedes, da Economia, não consultou e nem ouviu os políticos antes de anunciar a reforma da previdência.

Na proposta de Guedes tinham dois pontos cruciais, que de cara já eram resistentes e impactariam seus eleitores, o aumento da idade para idosos obterem o benefício do BPC de 65 anos para 70 anos e a obrigatoriedade dos trabalhadores rurais contribuírem por 15 anos para terem aposentadoria. 

A outra foi a reforma das pensões dos militares, que não foi enviada junto do projeto dos servidores e trabalhadores civis. Resultado: O congresso parou aguardando a remessa do projeto dos militares.

Foi uma frustração geral, porque juntou dois temas distintos, a reestruturação da carreira militar e a reforma. Aproveitou a reforma e reajustaram os soldos, com a reestruturação de carreiras, incluindo aumento de benefícios na passagem para a reserva, com isso em 10 anos, a economia será de apenas R$ 10,45 bilhões, um bilhão por ano na inatividade. O militar continuará recebendo todo seu soldo da ativa, enquanto o civil – demais trabalhadores terão um limite que hoje gira em torno de R$ 5,6 mil. A alíquota previdenciária dos militares é 10,55% e a dos trabalhadores 11% e a dos servidores civis, 14% a 22%.

O projeto da previdência dos militares em termos de comunicação foi um desastre total. Faltou total jogo de cintura para a divulgação, tanto para os parlamentares como para as mídias. A tese vendida inicialmente era que todos os brasileiros teriam que fazer sacrifícios, acabou caindo por terra. Ou seja, há um grande sapo para os parlamentares digerirem e cabe ao Presidente Bolsonaro realizar, com maestria e habilidade, esta difícil tarefa.

A popularidade do Jair Bolsonaro está em queda, o que demonstra que perdeu força popular em um momento crítico. Segundo pesquisa do IBOPE, acendeu a luz vermelha. Os que consideram o governo bom ou ótimo despencou de 45% em janeiro para 34% em março, queda de 11 pontos. Os que avaliam o governo ruim ou péssimo pularam de 11% para 24%. Os que não confiam no presidente passaram de 30% em janeiro para 44% em março.

Estamos vivendo um contexto muito conturbado e incerto. O governo precisa agir rápido, muito rápido. Os dois presidentes que perderam apoio por parlamentares, Collor de Melo e Dilma Rousseff, tiveram impeachment. Portanto...olhos abertos...

Torço para que a equipe de JB acorde, rápido e reaja de forma a inverter a situação. A estratégia é uma só, reação imediata, partir para cima dos pontos nevrálgicos, caso contrário. creio que teremos que amargar um governo na UTI. Espero que isso não aconteça!

Boa leitura! Sorte e Sucesso para todos!

Antonio Celso Ribeiro Brasiliano
Publisher da Revista Gestão de Riscos e Presidente da Brasiliano INTERISK | abrasiliano@brasiliano.com.br   

EM TEMPO: 28 de março de 2019, as manchetes dos jornais O ESTADO DE SÃO PAULO e do VALOR Econômico foram respectivamente: 

“Temor sobre Previdência derruba Bolsa e eleva dólar”

Ida de Paulo Guedes ao Senado não contornou situação; ministro diz não ter apego ao cargo.

“Conflito político atinge mercado e dólar vai a R$ 4”

Bandeiras estão içadas avisando o Governo de que o contexto político não está nada bem, por esta razão deve reagir rápido e de forma inteligente. Um cenário sem reforma não interessa a ninguém. Mas, fato é, na visão dos parlamentares, é que há grande probabilidade com efeitos massivos, do governo não entregar uma agenda econômica, o significa uma grande exposição para o Brasil do desequilíbrio fiscal continuar e entrar em stress, levando o Brasil e nós brasileiros a bancarrota!!

Brasil, tenha maturidade e inteligência para reagir, deixe o ego de lado, faça do inimigo o aliado nas horas certas, utilize as técnicas de Sun Tzu, Maquiavel e Clausewitz, faça o Brasil deslanchar economicamente, caso contrário todos nós morreremos na praia! 

Antonio Celso Ribeiro Brasiliano
Publisher da Revista Gestão de Riscos e Presidente da Brasiliano INTERISK | abrasiliano@brasiliano.com.br   

 

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