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CONTEXTO GLOBAL

Os gestores de riscos monitoraram os Riscos Políticos? Creio que não!

Prof. Dr. Antonio Celso Ribeiro Brasiliano, CIEIE, CPSI, CIGR, CRMA, CES, DEA, DSE, MBS
Doutor em Ciência e Engenharia da Informação e Inteligência Estratégica pela
Université Paris – Est (Marne La Vallée, Paris, França); presidente da Brasiliano INTERISK.

Existem inúmeras formas de nós como gestores de riscos, monitorarmos os riscos políticos para nossas empresas. Este artigo introdutório visa mostrar para os senhores leitores que, as grandes consultorias de risco políticos criam cenários prospectivos com base em seus eventos futuros. Cabe a nós, gestores de riscos, analisar, questionar e refazer, se for o caso os cenários elaborados pelos especialistas. Por exemplo a América Latina foi um exemplo típico e mais ainda o Chile, embora este tivesse dado sintomas em 2018 de que algo já não ia tão bem assim. Vejamos. 

Segundo o Estudo da Marsh “Mapa de Risco Político 2019. As tensões geopolíticas aumentam”:

Nunca antes as empresas enfrentaram tantos desafios como nos dias atuais. Desde economias emergentes até as economias mais estabelecidas, empresas e comércio são cada vez mais suscetíveis às incertezas e os riscos políticos representam uma ameaça aos seus interesses comerciais.

Conforme o Relatório Global de Riscos 2019 do Fórum Econômico Mundial, as crescentes tensões geopolíticas e geoeconômicas representam os “riscos globais mais urgentes da atualidade”. 

O Mapa de Risco Políticos 2019 da Seguradora Marsh, abaixo plotado. 

Colocou para 2019, na América Latina, a Bolívia, Venezuela, Guatemala, Guiana, Suriname, Guatemala, Honduras, El Salvador, Nicaragua, Belize e Haiti, como países com grau de severa de instabilidade. O Brasil, Argentina, Equador, Peru, Colômbia, Paraguai, Panamá, Costa Rica, Porto Rico, República Dominicana, México, como países com instabilidade alta. O Uruguai ficou como médio e o Chile ficou como baixa instabilidade. 

Como pudemos ver, nem tudo, que foi prospectado, acabou dando certo, e houve mudanças radicais, o que prova da necessidade do gestor de riscos monitorar de forma contínua as variáveis que compõem os respectivos cenários e os seus eventos futuros.     

A construção do Mapa Político foi baseado na empresa de consultoria Fitch Solutions, parceira da Seguradora March, que destacou as mudanças com relação a 2018, e construiu cenários prospectivos para 2019, analisando riscos em curso, incluindo as contínuas tensões entre os Estados Unidos e a China, as guerras comerciais, o Brexit e as mudanças na zona do Euro, o futuro dos programas nucleares do Irã e Coreia do Norte e as tensões entre a Rússia e o Ocidente.

No relatório que foi publicado em fevereiro de 2019, foi colocado a possibilidade da transição da ordem mundial do protecionismo continuar. Enquanto os Estados Unidos, a China, a Rússia e, em menor medida, a União Europeia e o Japão continuarem sendo os atores mais poderosos. As potências emergentes como a Índia, o Irã, a Arábia Saudita, a Turquia e o Brasil seriam os atores cada vez mais importantes no contexto mundial.

Os Estados Unidos e a China estão intensificando a sua competência geopolítica na região do Indo-Pacífico e, aumentando as atividades militares no Mar da China Meridional, com isso, poderia ocorrer um choque militar não desejado. Enquanto isso, como resultado da suposta interferência do Kremlin na política interna dos Estados Unidos e da União Europeia, como o incidente de envenenamento de Skripal no Reino Unido, a pirataria dos laboratórios na Suíça e os conflitos na Síria e Ucrânia, as relações entre a Rússia e o Ocidente estariam tensas durante o ano de 2019. Tudo isso poderia levar a mais sanções dos Estados Unidos e/ou da União Europeia para a Rússia. A retirada do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, do Tratado de Forças Nucleares de Médio Alcance entre os Estados Unidos e a União Soviética de 1987, também levanta a possibilidade de um novo míssil na Europa.

Como a Fitch Solutions aponta, 2019 seria um ano agitado para as eleições nos mercados emergentes e em alguns estados desenvolvidos, o que aumentaria a volatilidade política. Neste aspecto, em termos gerais, houve inúmeras variáveis que alavancaram a volatidade dos mercados emergentes.  

Incerteza em relação ao futuro

Os sentimentos e práticas isolacionistas e protecionistas aumentaram em alguns países, interrompendo, mesmo que momentaneamente, o processo de globalização. Ações em uma economia criam reações em outras. Dentro desse contexto, pode ser mais difícil para as nações fazer progresso coletivo nos desafios globais.

O comércio mundial é cada vez mais afetado pela incerteza, e talvez a maior causa atual seja a disputa comercial entre os Estados Unidos e a China. Uma economia muito baseada nas exportações, como a alemã, é inevitavelmente afetada. Esta incerteza é agravada pelo Brexit, cuja natureza e efeitos exatos ainda não são claros. Ao mesmo tempo, há um “fator de medo” que se estende pela economia global e, em alguns casos, houve uma redução dos valores liberais e uma mudança política para a direita.

A incerteza econômica pode se desenvolver social e politicamente, e pode facilmente mudar de forma e se espalhar pelos continentes. Por exemplo, interrupções nas cadeias de suprimentos e/ou desaceleração econômica em países individuais podem ser sentidos além de suas próprias fronteiras. Mais do que nunca, existe a possibilidade de que os riscos políticos em uma parte do mundo ou setor migrem para outras regiões ou setores, causando frequentemente danos inesperados.

O fato mais notável foram as ameaças identificadas nas chamadas economias desenvolvidas, em oposição aos mercados emergentes. A vigilância e a análise ampla e sistêmica destes riscos seriam vitais para minimizar a materialização ou a diminuição de seus impactos. Nesta edição especial daremos foco somente para a América Latina.  

América Latina

Os dados da consultoria Fitch Solutions, base do Relatório da March, indicaram que os riscos políticos em vários países da América Latina, melhoraram, como a Guatemala, o Chile e o Paraguai obtendo o maior movimento positivo em suas pontuações. A medida do índice da Guatemala melhorou em função do presidente Jimmy Morales obter mais apoio do Congresso e do sistema do que em 2017, evitando, ao mesmo tempo, protestos em larga escala.

No Chile, a eleição do presidente Sebastián Piñera, em dezembro de 2017, pôs fim a um período de incertezas, com melhorias econômicas e menor taxa de desemprego. Vejam que faltou monitoramento tanto por parte dos gestores de risco, como dos órgãos de inteligência chilena, pois é impossível não terem medido a temperatura das classes estudantil, trabalhadora, aposentados, entre outras...Houve uma falha muito grande! 

Enquanto isso, o Paraguai vivenciou uma maior clareza na política e uma diminuição das tensões sociais após a eleição do presidente Mario Abdo Benítez em abril.

No entanto, a Fitch Solutions reduziu significativamente a pontuação (aumentou a instabilidade ) da Nicarágua, já que o presidente Daniel Ortega enfrentou fortes protestos contra o seu governo em 2018. A situação naquela região poderia permanecer instável em um futuro previsível. Prevê-se que a inflação na Venezuela atinja 10.000.000% em 2019, enquanto o novo cenário político - com Juan Guaidó, presidente do parlamento, reconhecido por muitos países como presidente interino - aumenta a incerteza sobre o futuro do país.

Gestão de riscos

É vital que as empresas analisem e avaliem o impacto potencial da ampla gama de riscos políticos que enfrentam, bem como a natureza sistêmica desses riscos e os potenciais efeitos em cadeia que muitas vezes vão muito além de seu país ou setor de origem. Também é importante levar em conta a natureza geograficamente difusa de muitos riscos políticos, uma vez que as nações do G7 e outras economias maduras recentemente experimentaram, e possivelmente aumentem, a percepção de um aumento no risco político.

Riscos políticos são tipicamente difíceis de prever; no entanto, as empresas podem analisar e modelar o risco, quantificando claramente suas operações comerciais e pontos de pressão. A mentalidade de uma empresa em relação ao risco político também é importante. Não é aconselhável avaliar qualquer risco político isoladamente ou perceber riscos políticos com um prazo muito curto. Tem que fazer um estudo mais aprofundado de interconectividade entre os riscos políticos. 

O seguro de risco político faz parte do ser resiliente contra a volatilidade. Embora os riscos políticos geralmente não sejam diretamente controláveis, em muitos casos eles podem ser mitigados por meio do seguro de risco político e de crédito, o que fornece uma confiança maior nos benefícios da oportunidade.

O mercado de seguros para riscos políticos está crescendo. As seguradoras têm equipes analíticas mais fortes e mais dados, mas a extensão dos riscos potencialmente catastróficos vem aumentando, assim como a percepção do que constitui um risco. Do ponto de vista de uma seguradora, uma consideração mais importante é muitas vezes quem eles estão assegurando, bem como o que eles estão assegurando.

O setor empresarial, o apetite de risco, a experiência nos países em que opera e a sua contribuição financeira e social para esses países, geralmente serão determinantes vitais do tipo de seguro que poderá ser obtido.

Historicamente, as organizações multinacionais têm comprado seguros contra a violência política e/ou terrorismo porque as taxas eram geralmente mais baixas do que para o seguro de risco político, mas também porque a cobertura por danos físicos está intimamente relacionada ao seguro contra danos. No entanto, essa estratégia tem o potencial de deixar lacunas significativas. O seguro de risco político pode ajudar a fechar as lacunas, incluindo a cobertura para ambos os perigos, porém, o que resulta mais importante, abordando a perda de um investimento ou contrato devido a uma ação do governo ou inatividade, onde poderia não haver danos físicos.

Os contratos de fornecimento de bens e serviços em países emergentes, com entidades governamentais ou privadas, sempre implicam uma exposição implícita a alguns riscos políticos ou econômicos subjacentes. O aumento do protecionismo global, a restrição de pagamentos em moeda forte a empresas estrangeiras e a imposição de embargos e sanções comerciais são problemas recorrentes em países onde os governos tentam impor objetivos de política externa, influenciam a opinião pública nacional ou manipulam questões econômicas. Além disso, as empresas podem enfrentar restrições internas de limites de contrapartida que os impedem de competir efetivamente nos mercados-alvo. Os contratos podem ser cobertos por períodos de até três a sete anos ou, se um comprador tiver status soberano, até 20 anos.

O seguro não é uma panaceia para todos os riscos, mas pode permitir que uma empresa reduza a incerteza e a volatilidade em relação a um contrato ou investimento importante para proteger os interesses dos acionistas.

Portanto o gestor de riscos deve, visando prevenir e mitigar, utilizar ferramentas de análise de riscos políticos e construção de cenários prospectivos, além de um contínuo monitoramento. Para a mitigação, o seguro para o risco político, integrado com o gerenciamento de riscos fornece às corporações uma maior resiliência. Desta forma temos uma estratégia estruturada para gerenciar a volatidade, incerteza, complexidade e ambiguidade – VUCA, destes tempos bicudos, de tal forma que possamos realizar tanto a antecipação como a adaptação, quando riscos se materializarem com muita rapidez. Este é nosso maior diferencial.  

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