PONTO DE VISTA

2019 um ano
para reflexão

Esta época do ano sempre nos deixa pensativos. Do ponto de vista pessoal, analisamos as nossas realizações e aprendizados e estabelecemos metas para serem cumpridas. Enquanto empresa, este foi um ano que considerei atípico. Atípico porque iniciou com inúmeras expectativas, em termos de uma retomada forte e consistente da economia. Todos os cenários elaborados consideravam um crescimento vigoroso da nossa produção, que estava ociosa, diminuição enfática da taxa de desemprego e investimentos diretos estrangeiros e nacionais. Embora a inflação esteja controlada e os juros baixos, a economia não conseguiu decolar da forma como havia sido planejada. Frustrou grande parte de seu eleitorado. Não aconteceu da forma como todos esperavam! Portanto foi um ano difícil, extremamente volátil e incerto sob inúmeros aspectos, principalmente o político.

Os nossos países vizinhos deram mostras das suas insatisfações e arrojos sociais que a classe média sofria, através das manifestações fortes nas ruas, derrubando inclusive governos.

 

Em tempo difíceis, como estes que a nossa região está atravessando, aprendemos que o que nos une é muito maior do que aquilo que nos separa. Está é a força de uma verdadeira nação.

 

 

 

Um dos pontos de maior inflexão e de grande dificuldade do Governo Bolsonaro é exercer a autoridade na conciliação, buscando impor harmonia e comprometimento através de compromissos que reúna diversos atores, com a escolha consensual e refletida de prioridades e pela negociação tolerante. Não é fácil, mas necessário, pois, ameniza os conflitos sem eliminá-los, supera os impasses e se prepara para enfrentar os próximos obstáculos, evitando utilizar a violência para desbordá-los. Somos um Presidencialismo de Coalizão! Os conflitos são perenes, mas com ponderação e persuasão se formulam caminhos que reduzem a fricção, o embate direto. Clauzewitz, o filósofo da Guerra, já nos ensinava isso no século XVIII. Numa época como a nossa, com um risco de fake news das redes sociais, que disseminam, com a rapidez de um raio, para uma milhões de pessoas, há a necessidade de uma autoridade que se afirme para gerar confiança consistente. 

A nossa reflexão tem que fazer clarear que as lideranças, todas elas, se existirem, tenham coragem de admitir que os antagonismos não são os desastres, nem as fraquezas, mas sim os alicerces para solidificar a verdadeira democracia. O Presidente Bolsonaro e seus líderes deveriam ter tolerância, sendo esta, a principal virtude conciliadora, nestes tempos de confrontos e fricção.   

Este, para mim, é o principal desafio para 2020! No meu ponto de vista pouco importa se o Brasil embicou na direção de um crescimento, não pomposo, mas visível. Se existem economistas e consultorias que projetam um crescimento médio de 2,8% (projeção feita pela consultoria econômica 4E), em três cenários, caindo muito pouco na década seguinte. O cenário otimista começa com um crescimento 4,1% e vai se acomodar em 2030 em 3,5%. A diferença entre os três cenários está na capacidade de manter o ritmo das reformas estruturantes e para isso precisa haver coalizão.

Na minha visão, e, olhando para trás vejo um filme que não gosto de rever. O ex-presidente Collor de Melo, foi eleito como caçador de marajás, com mais de 50% da população, igual ao nosso Presidente Bolsonaro. Ao fim do primeiro ano de mandato, tanto Collor como Bolsonaro possuem reduzidas taxas de popularidade com menos de 30%. Collor também não teve a capacidade de realizar a coalizão, o diálogo, a tolerância. A arrogância, falta de liderança partidária fizeram com que não conseguisse conduzir a política do Brasil. O final nós conhecemos. 

Honestamente, embora, o Governo Bolsonaro tenha, no meu ponto de vista, três grandes mestres em seu time, o Ministro Guedes da Economia, o Ministro Tarcísio da Infraestrutura e o Ministro Salim Mattar da Desestatização, eles sem espaço para manobra não conseguem progredir, sem coalizão não caminham com celeridade. E aí as reformas necessárias vem em um ritmo moroso, que desestimula o investidor. Por esta razão ainda não decolou, com todas as ótimas condições que o Brasil está vivendo. Aliás a melhor condição nos últimos tempos!

O que eu, Antonio Celso Ribeiro Brasiliano, tenho como percepção, é um Brasil em uma corrida ansiosa, ávida, agitada, desengonçada, na busca da recuperação econômica, mas só isso não supre nossa necessidade, pois uma liderança consistente anulará o antagonismo, proporcionará tolerâncias e por consequências coalizões,  e, principalmente incutirá crença nos poderes constituídos, anulando a insatisfação, materializada por manifestações nas ruas, como ocorreram e ocorrem nos nossos países vizinhos. 

Se não houver mudanças drásticas de atitude e na condução das ficções, não enxergo horizonte claro, infelizmente só vejo como uma pessoa míope, sem seus óculos, que só enxerga tudo turvo e com muita névoa, sem muita perspectiva. 

Espero que haja esta mudança estratégica ou que eu esteja redondamente enganado! Infelizmente só o tempo dirá!

Sorte para todos nós! 

Boa Leitura!

Antonio Celso Ribeiro Brasiliano
Publisher da Revista Gestão de Riscos e Presidente da Brasiliano INTERISK | abrasiliano@brasiliano.com.br   

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