GESTÃO

Perdi o emprego,
agora estou inseguro!

Teanes Silva, ASE
Consultor de Segurança e Riscos, Instrutor na Modus Segurança, administrador de Segurança Privada - CRA/SP e Diretor da Abseg - Associação Brasileira dos Profissionais de Segurança. MBA em Administração Hospitalar.

É, “e agora?”, ou deveria ser “e ontem?”; o que você deveria ter feito, preventivamente, para esse momento?

Para muitos, perder o emprego soa como se tivesse perdido um membro do corpo, fica com vontade de morrer, fica depressivo, entre tantas emoções envolvidas. Para outros, é questão de oportunidade e superação; a cada queda o sucesso se aproxima. E para você?

Analisemos algumas situações hipotéticas, ou “cases”.

Case 1 

O risco de ser demitido está para todos, portanto, qual a probabilidade de você ficar desempregado? Qual o impacto quando esse risco se concretizar?

“Eita”, não tinha pensado nisso? Está aí o grande problema, não acreditamos que acontecerá conosco, até que, um dia, acontece!

De todo modo, cabe a você tomar as medidas necessárias para a mitigação desse risco e mesmo que ele seja um risco de baixa probabilidade, ele pode ter alto impacto, especialmente se acontecer de forma repentina.

Você “é” um gerente ou diretor de uma empresa ou “está” gerente ou diretor em uma empresa?

Se a resposta for “eu sou o gerente da empresa tal”, ao perder o emprego a dor será maior, uma vez que, nesta condição, você deve ter se empenhado como se fosse o dono, cuidando com o “olho do dono”, mas não era o dono e a sensação é de traição e perda.

Quem respondeu que ‘está”, a dor será menor, pois você estará, em breve, em outra empresa, sem a sensação de traição ou perda, mas sim, com sentimento do propósito realizado por onde passou.

Case 2

Quando você tem duas ou mais atividades remuneradas, o risco de perder o emprego, apesar de alta probabilidade, será de baixo impacto.

 

Nesse caso, trata-se de uma situação confortável, desde que, financeiramente, a receita individual de uma das atividades ofereça condições que comportem todas as suas despesas e custos pessoais e de sua família.

Case 3

 

Agora, se o seu risco de perder o emprego é de alta probabilidade e de alto impacto, e estiver potencializado pela sua irresponsabilidade ao analisar esse risco como pouco crítico, paciência... Embora pareça tarde, ainda assim, contingências devem ser imediatamente implementadas, como veremos mais adiante.

Em todos os 3 “cases” anteriores, as medidas que devemos tomar em nossas vidas e carreiras devem ser na direção de baixar a probabilidade e o impacto, o máximo possível; e sempre monitorando, haja vista que, perder o emprego, é uma variável controlável, quando depende de você. Portanto, o profissional deve fazer o seu melhor todo dia, buscando continuamente elevar as suas competências.

E não se pode descartar que, por outro lado, pode ser uma variável incontrolável, quando aspectos externos acontecem, como, por exemplo, quando o governo, ao mudar a taxa de câmbio, encolhe o mercado e a empresa para a qual trabalha se vê obrigada e reduzir drasticamente o número de empregados – e você acaba nesse corte –, ou pior, a empresa acaba fechando ou ainda, sendo incorporada por uma fusão ou aquisição, onde o time todo acaba sendo renovado – e você também.

Case 4

 

Neste último “case”, você é um Micro Empreendedor Individual (MEI) ou, ainda, sócio de uma empresa e viu o seu negócio quebrar. Para qualquer dessas duas situações, vale também analisar o risco do desemprego, monitorando o contexto em que está o seu negócio.

Principais dificuldades para se recolocar:

1) Você procurou os amigos, apenas nesse momento, de desespero.

2) Está com as competências viciadas e sem atualização.

3) Os cursos são caros e todos parecem bons.

4) O seu network era limitado ao “seu local de trabalho”.

5) Primeira vez que ficou desempregado.

6) Vergonha do desemprego.

7) Irritado com o desemprego.

8) Está se sentindo incompetente.

9) Sem foco, buscando qualquer coisa.

10) Está desesperado e fica chorando.

11) Dorme tarde e acorda tarde.

12) Sensação que foi roubado(a) e perdeu tudo.

13) Fica no boteco, gastando o pouco que resta.

14) Pseudo-coachs-de-carreira que apenas, mordem um pedaço da sua rescisão.

15) Currículo incompatível com o cargo ou vaga pretendida.

16) Outras, muitas variáveis, que você estiver vivendo.

Medidas preventivas para reduzir o impacto:

1) Escrever artigos, de forma que o mercado lhe conheça, intelectualmente.

2) Participar de grupos de estudo, interagindo constantemente com outros profissionais.

3) Fazer parte de associação de classe profissional.

4) Fazer parte de grupos de profissionais do segmento em que atua.

5) Participar das feiras de produtos do segmento.

6) Ler sobre tudo, focado nos negócios e profissões.

7) Poupar um percentual para essas contingências, considerando que o seguro desemprego é insuficiente.

8) Assinar jornais e revistas do segmento é uma boa opção de atualização.

9) Participar de seminários correspondente da sua profissão e no ramo da empresa.

10) Monitorar vagas e ficar aberto a novas oportunidades.

11) Manter network com os seus colegas dos tempos da faculdade, dos antigos empregos, da religião, enfim, é necessário manter o relacionamento pessoal e profissional, trocando informações e dicas de oportunidades, bem como, ampliar o network nas palestras, nos congressos, nos cursos, com ação simples, como por exemplo, entregando um cartão, seja eletrônico ou físico, elevando as suas chances em cada oportunidade que surgir.

12) Certificar-se profissionalmente, destacando-se e diferenciando-se.

13) Outras dentro do universo da prevenção de riscos.

Este artigo não tem o propósito de esgotar o assunto e nem de servir para auto ajuda, contudo, é sabido que a recolocação é uma jornada exaustiva, um processo complexo e precisa de planejamento, de preparo físico e mental, de cronograma, de meta e foco.

Por fim, não culpe as pessoas ou seus superiores pelo desemprego, afinal, é sua responsabilidade analisar o risco do desemprego, da pré-demissão a demissão, e mitigá-los com controles sobre a sua carreira e desenvolvimento profissional e pessoal, enquanto ainda está empregado!!!

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