PONTO DE VISTA

Brasil vive tripla Crise Interconectada, sobreviveremos pela total incompreensão
e inanição do Presidente
da República?

O Presidente da República, Jair Bolsonaro, está com uma granada sem pino no colo, prestes a explodir! Não há comando no Brasil, não há liderança, na minha opinião, Bolsonaro traçou um caminho perigoso, extremamente arriscado. O Brasil vive uma ANOMIA – conceito de desordem na sociologia.

 

O risco político nosso é que a ANOMIA, historicamente não perdura muito tempo, chega um momento que alguém ou uma instituição quer colocar em ordem para que o país possa sobreviver. Esta é a história
de qualquer nação, desde os primórdios dos tempos...

O que eu vi na televisão no domingo, dia 3 de maio, me assustou, pois pela segunda vez, Bolsonaro apela aos militares contra a democracia. A primeira foi dia 19 de abril, domingo também, dia do Exército Brasileiro, em frente do QG do EB, onde o Presidente da República disse em alto e bom tom para que todos ouvissem que não iria “negociar mais nada” e que acabara a era da “patifaria”. Neste domingo, repetindo a dose com seus seguidores alucinados, bitolados, fanáticos e arruaceiros gritando frases decoradas e de agressão ao liberalismo, Bolsonaro reclamou das “interferências” dos outros Poderes: “Chegamos no limite. Não tem mais conversa”. Em seguida, disse que as Forças Armadas estão do “lado do povo”. 

Isso fez passar um filme em minha cabeça, quando estudei História do Brasil e fui entender os integralistas, chamados de camisas verdes. No nosso caso, os Bolsonaristas estavam travestidos de verde e amarelo. Mas o conteúdo é o mesmo, infelizmente! 

Introdução - Interconectividade 

O integralismo foi um partido e movimento político surgido no Brasil na década de 1930, influenciado pelos ideais e práticas fascistas que se desenvolveram na Europa após o fim da 1ª Guerra Mundial. O movimento de extrema-direita foi fundado com o nome de Ação Integralista Brasileira (AIB), em 1932, quando o jornalista Plínio Salgado lançou o Manifesto de Outubro.  

O lema do Integralismo “Deus, pátria e família” serve como ponto de partida para se entender as propostas do movimento que ficou conhecido como o fascismo brasileiro.

A palavra “Deus” indica a influência religiosa cristã dos integralistas, estando a figura divina em primeiro lugar e ocupando o cimo da estrutura hierárquica social, como era entendido pelos integralistas, já que era Deus “que dirigia o destino dos povos”.

A pátria era definida pelos integralistas como “nosso lar”. A pretensão era apresentar uma unidade da população brasileira dentro do território, principalmente como uma contraposição à divisão da sociedade em classes. 

Os integralistas pretendiam alcançar essa unidade através da constituição de um Estado integral, que harmonizaria os diferentes interesses existentes no seio da sociedade. Por fim, temos a família como a menor unidade de organização social dentro da proposta integralista. A família seria o “início e fim de tudo”, a garantia da manutenção da tradição, veiculada através dessa forma de organização social.

Assim, podemos caracterizar o integralismo como um movimento nacionalista, autoritário, tradicionalista e fundado em preceitos religiosos, cabendo ao Estado manter a unificação integral da sociedade através da coerção.

Os principais símbolos do integralismo eram a letra grega ∑, o sigma, que na matemática significa a soma dos infinitamente pequenos, indicando que através da união dos indivíduos e da família se garantiria a integração da sociedade, tendo por eixo o Estado; e o cumprimento com o braço levantado para o alto, utilizando a expressão “anauê”, palavra de origem tupi que significa “você é meu irmão”.

A saudação integralista era muito semelhante à utilizada pelos nazistas, sendo mais um item de aproximação com os fascismos europeus.

O que mais me assustou foi ver e enxergar claramente que os extremos se tocam e são extremamente semelhantes em tudo! Sempre ouvi sobre isto e não acreditava que no Brasil, em pleno século XXI eu teria que passar por isto, pior, fui ator neste contexto, pois votei em Bolsonaro. Os também fanáticos, lunáticos, cegos da esquerda brasileira, que não aceitam até hoje, que o PT de Lula roubou, tudo que ocorreu foi pura armação, conspiração, incluindo a imprensa brasileira e o judiciário, está ocorrendo o mesmo com o Presidente Bolsonaro. Tudo tem que ser polarizado, tudo tem que haver um inimigo querendo-lhe trair e tirar o poder. Moro até virou traidor, mentiroso! Absurdo senhores, vamos colocar as mãos na consciência! Vamos pensar friamente! Há algo de podre no reino da Alvorada!     

O Presidente da República, Jair Bolsonaro, no seu posto máximo de líder da nação não poderia e não deveria se expor, se rebaixar ao participar de uma manifestação daquele nível, onde a imprensa foi agredida fisicamente e, no dia seguinte, dar declarações completamente estapafúrdias sobre exame de corpo delito. Absurdo!! Está expondo as Forças Armadas, ao afirmar que estariam com ele, com o povo. Que povo? Meia dúzia de gatos pingados, os “black blocks” transvestidos de verde e amarelo? Que a paciência chegou no limite, que queria cumprir a constituição, que o Congresso e o STF estavam interferindo no governo. 

Ora, vivemos em um país presidencialista, com três poderes distintos e independentes, onde há a necessidade de interlocução e coalizões. Ele não sabia disto? Não sabe que ele, Presidente da República é servo da Constituição? Que as Forças Armadas, Exército, Marinha e Aeronáutica, são organismos do Estado Brasileiro, que consideram a independência e harmonia entre os três poderes cruciais para a governabilidade do Brasil? Esqueceu que hoje são, mais do que nunca, instituições profissionais, maduras. Não são milícias provincianas. O Brasil não é Venezuela, onde os generais são promovidos por questões meramente políticas, sem terem a mínima condição técnica e intelectual.       

Na última edição da nossa Revista Gestão de Riscos já escrevi que a Crise Pandêmica do COVID-19 estava pessimamente gerida, faltava liderança para unir esforços para que todos cumprissem os mesmos objetivos. O COVID-19 por si só gera dois grandes riscos o Econômico e o Político. O Risco Político é um risco de ligação, ou seja, é instável, podendo desestabilizar todo o contexto, podendo levar a nação ao caos. Influencia a forma que será gerida a economia e a crise da pandemia, e assim ele amplifica a magnitude dos impactos. 

Utilizando a técnica dos Impactos Cruzados, Teorema de Bases, Probabilidades Condicionantes, enxergamos perfeitamente a interconectividade entre os três grandes riscos que o Brasil está passando. Vemos que a pandemia COVID-19 é motriz, influencia o Risco Político e o Econômico. O Risco Político influência o Econômico e dentro de seus fatores de riscos, por instabilidade, pode causar crises institucionais, pois é de ligação. Por esta razão é importante enxergar como o risco político está sendo gerido.

Matriz de Interconectividade dos Riscos COVID-19 – Político - Econômico - Software INTERISK

O Início da Crise Política: Estadista x Populista

Frank Ramsey, um cientista da Universidade de Cambridge, ligado aos campos da filosofia, matemática e economia. Na economia deixou um grande legado, uma modelagem matemática que responde à pergunta: “quanto a sociedade deve poupar para favorecer as próximas gerações?” Quanto mais deixarmos de consumir no presente, mais investiremos elevando o produto, o consumo e o bem estar das populações no futuro. Para sabermos qual é a distribuição ótima entre as gerações, os economistas de hoje incluem uma taxa de desconto para trazer a Valor Presente o consumo das Gerações Futuras. Taxas de descontos mais elevadas favorecem um consumo maior da geração presente, e planejadores que dão um peso elevado ao bem estar das gerações futuras preferem taxas de desconto mais baixas. 

Ramsey tinha um profundo senso ético e grande apreço pelo bem estar das próximas gerações, o que levou a utilizar uma taxa de desconto nula, dando peso igual a todas as gerações. 

Em um caso semelhante, a pandemia coloca os governos em uma situação semelhante. A adoção do Isolamento Social para poupar vidas à custa de uma recessão no presente, cujos efeitos são atenuados por medidas que impeçam a quebra de empresas e compensem a queda de renda dos mais vulneráveis, em troca de um crescimento mais robusto adiante. 

No outro extremo, o isolamento social é abolido na esperança de evitar uma recessão no presente, porém à custa de um enorme número de mortos e de menor crescimento no futuro. Na figura abaixo vemos as curvas pandêmicas e as econômicas, elaboradas pelos economistas Samy Dana, Alexandre Simas, Bruno Filardi, Rodrigo Rodriguez e José Gallucci Neto, da empresa, encomendado pela empresa Easynvest. 

Na minha opinião, se o governante responsável pela decisão, caso do Presidente Bolsonaro, tiver respeito pelo futuro do Brasil, decidiria como se tivesse uma taxa de desconto baixa ou mesmo nula, respeitando as opiniões dos médicos, especialistas e cientistas e optando por um Isolamento Social Rígido. 

Mas se o objetivo for manter sua popularidade elevada no curto prazo para favorecer sua provável reeleição, atirará as favas o futuro do Brasil, utilizando uma taxa de desconto mais alta.

A história demonstra que estadistas, verdadeiros líderes, utilizam taxas de desconto bem menores que a dos populistas, haja visto por exemplo na Inglaterra quando Curchill jogou para o futuro uma taxa quase nula, ao decidir lutar contra Hitler, e ficando em Londres durante todo bombardeio que sofreu. Outro exemplo que posso citar vem da própria Inglaterra, quando o atual Primeiro Ministro Boris Johnson, fez seu discurso ao sair do hospital curado do COVID-19. No início da pandemia era contra o Isolamento Social, questionou fortemente sua eficácia. Mas não hesitou em aceitar humildemente às evidências dos cientistas do College of London, voltando atrás na sua decisão e decretando a continuidade do Isolamento Social em todo território inglês. Boris assim como Churchill pediu a união do povo inglês na luta contra o vírus. Boris jogou a taxa de desconto na lona, ao contrário que fizeram populistas de direita como Trump, que Bolsonaro tanto venera e cópia. 

Em um momento crítico como este em que o Brasil passa, em termos de pandemia, é natural haver divergências de opinião, empresários que lutaram para levantar seus negócios, ficam temerosos em perdê-los ou ter que recomeçar. Pessoas vulneráveis que olham as suas rendas, oriundas dos bicos que fazem na rua, passam a viver de transferências do governo. 

Nestes dois casos a intenção é colocar a culpa no Isolamento Social, e quando cai o número de mortes, ambos lutam para que isso acabe, sem se dar conta que o responsável foi o Isolamento Social. 

A experiência internacional, a OMS e o histórico de outras pandemias deveriam ser a base de sustentação para que o Governo Bolsonaro explicasse com todo empenho para a nação brasileira a decisão do Isolamento Social, com a quarentena e se fosse preciso o Lockdown. Deveria trabalhar em conjunto com os governadores, independentemente de partido, religião ou ideologia. Teria que haver uma convergência de estratégias e de objetivos. Deveria ter um planejamento de protocolo de saída da quarentena, com o objetivo de evitar uma segunda onda. Não poderia haver acovardamento nas decisões, como existem hoje, se escondendo atrás das brigas e intrigas, para depois querer culpar o Isolamento Social. 

Mas infelizmente não temos na Presidência um estadista, mas sim um populista, com foco na reeleição, onde está aplicando uma taxa de desconto muito alta, igual de um agiota. Em vez de unir o Brasil e os brasileiros, ele divide, através de suas intolerâncias, radicalismos e agressões a todos que divergem de suas ideias.

Tivemos sua primeira vítima que foi o Ministro da Saúde Luiz Mandetta, deposto do cargo por estar 100% a favor da ciência. Colocou um Ministro que até o momento, 06 de maio de 2020, não apresentou plano algum, está no gerúndio, perdido no meio de dados e informações. Até as coletivas de imprensa que eram dadas todos os dias às 17 horas, deixaram de existir, o horário é de acordo com a boa vontade do Ministério. Os dados que antes eram publicados no site, continham poucos erros, hoje em dia não podemos ter certeza de suas informações, pois há erratas contínuas. 

As consequências podem ser muito negativas para o nosso Brasil, tanto para o presente, como para o futuro. 

Recuperação Econômica x Pandemia COVID-19

Uma profunda recessão econômica para 2020 é inegável, não é nenhuma novidade. Não só para o Brasil, mas para o mundo todo. O tempo de isolamento é uma variável crítica e a forma como sairemos deste isolamento é outra, para evitar uma segunda onda de contágio. 

A pandemia COVID-19 atingiu na veia todos os setores ao mesmo tempo, impactando as pessoas também: 

Fonte: Coronavírus: O mundo nunca mais será o mesmo. Insights & Analytics de Integrated Brasil do Google. 

O impacto da Pandemia COVID-19 está assim estimado: 

Fonte: Coronavírus: O mundo nunca mais será o mesmo. Insights & Analytics de Integrated Brasil do Google. 

O Ministério da Economia do Brasil, reagiu, e elaborou um plano emergencial de ajuda para as empresas e trabalhadores: 

Fonte: Coronavírus: O mundo nunca mais será o mesmo. Insights & Analytics de Integrated Brasil do Google. 

Com esta ação o presidente do Banco do Central, Roberto Campos Neto, surpreendeu a todos tendo que ser sendo keynesiano. Mas todos os Bancos Centrais do mundo foram nessa crise, menos alguns países da Europa. 

Fizeram coisas que ninguém podia imaginar, nem o Keynes. E Roberto Campos fez o que tinha que ser feito. O Ministro Paulo Guedes também percebeu que o discurso de contenção de gastos era para uma situação anterior e, portanto, entendeu o novo desafio e teve que repensar as medidas fiscais. 

O problema é que aqui demorou um pouco a interação entre o governo e Congresso, principalmente na questão dos estados e municípios. O Ministro Guedes tinha um projeto liberal e percebeu que não era hora de insistir naquilo. 

O problema é que os militares olharam para a Europa depois da Segunda Guerra e acharam que é a mesma coisa, o que não é verdade. Nossa estrutura produtiva continua a mesma. É absolutamente fora de propósito pensar em medidas fiscais agora, dizem os especialistas, porque a dívida interna vai a 100% do PIB. Vamos ter que pensar em uma nova rodada de reformas para estabilizar a dívida federal quando a economia começar a crescer. 

Renúncia do Ministro Moro e Guedes na Berlinda

A demissão do ministro Sergio Moro foi um terremoto na política brasileira. Sua saída do governo sinaliza uma perigosa nova fase para o Brasil. Mais do que isso, escancara o enfraquecimento do Estado Democrático de Direito atualmente em curso no país. A garantia da não interferência no trabalho da Polícia Federal e nos órgãos de controle são bases fundamentais para a governança democrática. O presidente Jair Bolsonaro parece ignorar tal premissa.

Temor dos economistas é que a queda do PIB no ano chegue a 9% com nova crise política aberta pelas acusações do ex-ministro da Justiça contra Bolsonaro. Em novo recorde, a moeda americana fechou dia 24 de abril em R$ 5,66 e Bolsa caiu 5,45%, após quase chegar ao circuit breaker. 

A saída de Moro do Governo deixa Bolsonaro mais isolado e com base de apoio reduzida para o desafio de enfrentar a crise do coronavírus. Os economistas projetam um quadro de forte recessão e impacto pesado na curva de desemprego. 

O Brasil com a falta de foco e com as crises políticas e institucionais, tornam as consequências mais imprevisíveis. Por exemplo o dólar subiu 41,12% no ano e bate recorde, liderando o ranking. A taxa de desemprego pode ir a 20%. 

Moro pediu demissão do cargo em função, segundo sua versão, de tentativa de ingerência de Bolsonaro na Polícia Federal. O que não dá para entender é porque neste momento tão crítico e confuso para o Brasil, Bolsonaro & Filhos decidem disputar o poder pela Polícia Federal. Salta aos olhos quão enorme foi o desgaste e quão custosa vais ser para o Planalto a renúncia de Moro. É difícil entender que Bolsonaro tenha se surpreendido com as proporções do desgaste político que lhes foi imposto. 

Como é fácil perceber, a simples suposição de que a decisão de desafiar Moro decorreu de um cálculo político racional é o que basta para entrever quão alarmado estava o Planalto com sua vulnerabilidade. E o quão urgente lhe parecia assumir controle imediato e absoluto sobre a PF. 

Com a suspensão do novo diretor da PF, por liminar do STF, o oneroso episódio que redundou na renúncia de Moro, converteu-se no que o mundo anglo saxão se rotula de all – cost operation. Só custos, nenhum benefício. Na minha opinião, esta atual posição de Bolsonaro, fragilizou seu mandato. Muitos analistas já comentam que o impeachment não é problema é solução. 

Diante do inquérito pelo procurador Geral da União e autorizado pelo STF, tanto Moro como Bolsonaro estão na linha de tiro, sendo que o Presidente da República é o mais visado. 

Outro ponto relevante na saída de Moro, foi a posição do Ministro Guedes, que pela percepção de analistas tinha perdido o prestígio diante do Plano Pró Brasil. 

Na apresentação deste Plano, não havia ninguém da equipe econômica, e o medo do mercado é a de que o Governo Bolsonaro de uma guinada econômica e largue a orientação liberal, em favor de investimentos estatais. 

Bolsonaro na segunda feira, 27 de abril, tendo em vista este mal estar, deu aval para Guedes perante toda a imprensa e disse que ele é o que entendia de economia. Perante este aval, o Plano Pró Brasil não sai do papel.

Túnel do Tempo: Coalizão com o Centrão

Nicolau Maquiavel (1532) em “O Príncipe” disserta sobre a postura ideal de um governante visando sua permanência no poder. Para Maquiavel, há momentos em que o soberano é levado a escolher entre ser amado ou ser temido, nestas situações a escolha deve ser temido, pois sem temor o governante perde o respeito dos seus governados e, portanto, as condições de governabilidade.

Já Weber (1919) em “Política como Vocação” discorre que um homem público é guiado por duas éticas e em alguns momentos a ética da responsabilidade se opõe a ética da convicção, o que leva o governante a escolher entre o que ele gostaria de fazer ou o que ele deve fazer pela imposição das circunstâncias.

Neste contexto, Jair Bolsonaro ao completar 16 meses agoniza, fruto de uma impressionante sequência de erros.

Em um momento em que o mundo luta contra uma crise sanitária que causará inevitavelmente uma crise econômica, as condições de governabilidade no Brasil estão se esvaziando fruto do apego excessivo à ética da convicção, isto é, os valores e crenças pessoais que guiam as ações do Presidente da República o colocando em oposição frontal à ética da responsabilidade, ou seja, às medidas recomendadas pelo melhor conhecimento disponível que propõem o isolamento social temporário como forma mais eficiente de se lidar com a crise sanitária.

Em regimes democráticos caracterizados pela informação instantânea e pela organização social de massas, a opinião pública oscila pendularmente e, neste contexto, a estratégia do conflito só prejudica quem está no governo e precisa prestar contas e entregar resultados.

Neste sentido, diante da incapacidade de Bolsonaro convencer a maioria da população brasileira acerca da viabilidade de sua convicção, somado a atitudes recentes destrambelhadas e incompatíveis com a postura requerida de um chefe de Estado, lhe custaram a credibilidade, esta certamente lhe fará falta no momento em que a crise econômica se impor como realidade e demandar ações efetivas do governo federal em estímulo à economia.

Maquiavel, deixa claro para os governados que o governante não é capaz de liderar o país em uma crise sanitária e não será capaz de apontar saídas para a crise econômica que pode se estender para 2021.

Afinal, se Bolsonaro não se valeu da ética da responsabilidade para apoiar medidas sanitárias corretas, quem garante que o mesmo o fará para adotar medidas econômicas que, em geral, sofrem de um nível maior de subjetividade? Em outras palavras o fracasso do governo Bolsonaro já aponta no horizonte de curtíssimo prazo e, sem o respeito de seus governados, esta é uma tendência irreversível.

Com base neste Cenário acima exposto, Bolsonaro corre para o legislativo, com o objetivo de atrair para formar sua base de apoio os líderes partidários encalacrados com denúncias de corrupção na Justiça, inaugurando uma nova fase do seu governo: a aliança com os partidos mais comprometidos com malfeitos na história recente do País. Ou seja, o que dissertou inúmeras vezes em seu discurso de eleição, acaba fazendo o contrário. 

Em 1988, durante o governo Sarney, ganhou força um personagem que inaugurou o toma lá dá cá na política brasileira: o falecido deputado Roberto Cardoso Alves, líder do Centrão na Câmara naquela ocasião. Ele se imortalizou ao apropriar-se de um trecho de uma oração de São Francisco de Assis: “é dando que se recebe”. Ou seja, os parlamentares dão apoio ao governo e recebem em troca cargos e benesses. 

Robertão, como era conhecido, pertencia ao fisiológico PTB e deixava transparente seus métodos de atuação: trocava votos na Câmara por toda espécie de favores. Virou ministro da Indústria e Comércio de Sarney e, em contrapartida, ajudou o então presidente a evitar que seu governo fosse removido, já que nos últimos meses de seu mandato houve hiperinflação de mais de 90% e só não caiu porque sua base parlamentar, apoiada pelo Centrão, não permitiu. Agora, essas estratégias estão sendo postas em prática pelo novo Centrão, liderado, entre outros, por Roberto Jefferson, também líder petebista como Robertão e que, desde Collor de Mello, é um dos maiores adesistas de governos em troca de cargos e verbas públicas. 

Jefferson foi da tropa de choque de Collor, mas não conseguiu impedir que o então presidente sofresse o impeachment em 1992.

Depois, aderiu a Lula, recebendo R$ 4 milhões em troca, e conseguiu dar maioria ao PT no Congresso. Foi preso, inclusive, como um dos principais envolvidos no mensalão petista. Mostra, porém, que não aprendeu nada na cadeia. Agora, está oferecendo a Bolsonaro os votos dos 12 deputados petebistas na Câmara e, em troca, pode levar o Ministério do Trabalho, a ser recriado. Até recentemente, Jefferson era vilipendiado pelo Bolsonarismo, que rechaçava a velha política por ele representada.

Mas o capitão mudou radicalmente de ideia, sobretudo porque deseja,desesperadamente, ter maioria na Câmara para evitar o impeachment. 

Na minha opinião Bolsonaro acaba de cair em uma armadilha, pois agora está lidando com profissionais de primeira linha. Os políticos do Centrão e o STF. Nas minhas aulas de estratégia militar, lembro que esta manobra se chama pinça, onde Bolsonaro tem pouco espaço de manobra. Bolsonaro está dentro de um alçapão, ficará se debatendo, em limites estreitos, salvo variáveis imponderáveis, tais como o próprio impeachment e o número de mortos na pandemia. Há algum tempo os conspiradores eram pura percepção, fruto da sua imaginação.  

Hoje Bolsonaro possui o STF, com muita fome para moer nosso desesperado presidente, sob investigações que provavelmente irá abatê-lo de uma forma ou de outra. E o pessoal profissional do Centrão, que para garantir uma “falsa” fidelidade, veja caso Dilma que tinha 80% da banca a seu favor e mesmo assim levou votação contra, irá tirar o sangue para haver governabilidade. 

Possivelmente o Centrão não possui apetite para tocar para frente um impeachment, salvo imponderáveis, tais como manifestações da população. Os parlamentares não enxergam nenhuma vantagem prática em derrubar Bolsonaro, óbvio, tem muita conta em jogo. 

A perspicácia de um estrategista que Bolsonaro possuiu na campanha eleitoral, o abandonou. Sem esforço a oposição abocanhou as próprias besteiras que cometeu nestes 16 meses de governo.  

Risco Político

Na nossa avaliação do Risco Político, integrado com os fatores econômicos e da pandemia, geraram um nível de fragilidade para o Brasil muito grande. 

O que isto significa? Significa que o Risco Político estando alto, impacta diretamente no projeto de investimentos estrangeiros e privados no Brasil, pela falta de confiança e credibilidade. A segurança jurídica passa a ser questionada, como também a governabilidade e por consequência os fatores econômicos.

Na nossa metodologia, temos um questionário, que pode mudar, de acordo com o contexto, onde inserimos os macro fatores de riscos – temas e seus fatores, que são os eventos que potencializam o risco a se materializar. 

Quanto maior a nota, maior o grau de fragilidade. A nota varia de 1 a 5. Temos 14 Macro Fatores de Riscos: 

Fonte: Brasiliano INTERISK | Software INTERISK

Temos 14 Macro Fatores de Riscos Políticos e 22 Fatores de riscos: 

Fonte: Brasiliano INTERISK | Software INTERISK

Temos 22 Fatores de Risco.

Análise de Risco: Pontuando-se a nota e multiplicando o peso, temos o resultado do Risco Político como Muito Alto.

Fonte: Brasiliano INTERISK | Software INTERISK

Conclusão

Concluo este artigo com as seguintes ponderações finais: 

A Pandemia COVID-19 vem como um elemento catalisador da crise, pois coloca em xeque a capacidade do Governo Federal em dois FATORES: A LIDERANÇA E A RESILIÊNCIA.

Liderança: 

Líder deve dar o primeiro passo e assumir a narrativa, que neste caso é de união para tranquilizar a população. Dizer que a situação é muito difícil, mas que se formos unidos, seremos mais fortes. O Líder deve unir o povo para que enfrentem a pandemia juntos, cumpram rigorosamente as determinações do governo, tem que pedir, dizendo que a vida é o maior bem que uma nação possui. O Brasil é feito de brasileiros, e juntos, unidos iremos vencer e reconstruir de novo, com mais força e vigor. Nasceremos do fogo, mais fortes. Portanto não devemos ter medo. Estamos juntos e lutando ombro a ombro. Ninguém fica para trás. O Líder realiza a coalização com o legislativo, sendo seu maior trunfo a nação, não tem partido, ideologia, tem a nação brasileira. O líder irá buscar o recurso para suportar o Sistema de Saúde para que atenda os brasileiros, construirá hospitais de campanha, convocará as Forças Armadas com seus serviços de saúde e hospitais de guerra para que possam dar os atendimentos emergenciais, em locais vulneráveis. O líder visita as frentes de combate ao COVID-19, onde os soldados da saúde se encontram, que neste momento são os médicos e enfermeiras, os atendentes, os policiais, os bombeiros, os socorristas. O Líder vais se expor junto com eles! É o exemplo.

Resiliência: 

A Resiliência é suportar as consequências da pandemia em prol das vidas que salvará. O Brasil, como o mundo passará por uma grande recessão, mas também venceremos, já não é a primeira vez!

Vai arrumar recursos financeiros para ajudar os mais vulneráveis, as pequenas e médias empresas, os pequenos e médios comerciantes. Função do Estado, da Nação Brasileira!

Isso tudo tem de acontecer de forma rápida, velocidade é a prioridade para acalmar a nação brasileira. Nas crises, qualquer crise, o que mais vale é a rapidez da resposta.

Caso estes dois fatores não sejam operacionalizados, como eu não estou enxergando, o nosso risco político é muito grande e as consequências diretas podem ser: 

- DISRUPÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTO;

- RECESSÃO SEVERA NO BRASIL;

- DESIGUALDADE SOCIAL E EXPLOSÕES DE MANIFESTAÇÕES EM FUNÇÃO DE RESPOSTAS ERRÔNEAS DO GOVERNO;

- FALÊNCIA DO SISTEMA DE SAÚDE - NÚMERO DE MORTES PASSA A SER AVASSALADOR;

- PERDA DA GOVERNABILIDADE POR ACORDOS COM O CENTRÃO;

- PROBLEMAS DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA COM O PODER JUDICIÁRIO EM VIRTUDE DOS SEUS FILHOS ;

- PERDA DE MANDATO E ASSUNÇÃO DA OPOSIÇÃO DE ESQUERDA OU CENTRO-ESQUERDA COM DISCURSO MAIS SOCIAL.

   

Pode acontecer um, alguns, vários ou todos ou nenhum destes eventos acima. Espero que não aconteçam para o nosso bem. Mas se não houver uma mudança de rumo, creio ser pouco provável. Vamos tentar ver a luz no final do túnel, só espero que não seja um trem para colidir, de novo, com a nação brasileira. 

Sorte para todos nós!! 

Boa Leitura!

Antonio Celso Ribeiro Brasiliano
Publisher da Revista Gestão de Riscos e Presidente da Brasiliano INTERISK | abrasiliano@brasiliano.com.br   

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