PONTO DE VISTA

Brasil viverá o cenário de caos prolongado. Motivo: incompetência gerencial

Antonio Celso Ribeiro Brasiliano, CEGRC, CIEAC, CIEIE, CPSI, CIGR, CRMA, CES, DEA, DSE, MBS

Estamos no dia 01 de julho de 2020, e o Brasil com dados do dia 30 de junho, atingiu a marca de 1.402.041 infectados e 59.584 óbitos registrados. A pergunta, que já escrevo há muito tempo, desde o início da nossa pandemia, é: por que o Brasil não conseguiu gerir de forma competente a crise pandêmica? A resposta é uma só: o que houve foi uma incompetência generalizada, acompanhada por uma crise política, pela polarização de remédios, estratégia de lidar com o vírus e uma desunião muito forte, que ajudaram a desestabilizar todo um esforço coordenado e com objetivos muito claros. 

O nosso guru na administração, principalmente em estabelecer metas e indicadores, Professor Vicenti Falconi, em entrevista à Revista Veja, páginas amarelas, número 2693, de 1o de julho de 2020, disse: “...o mais importante é saber a meta a ser alcançada no processo de solução, pois é exatamente isso que é gerenciar uma crise... Em gestão, existem componentes importantes. O primeiro é uma liderança forte. Depois vem o conhecimento técnico. O terceiro vem o conhecimento gerencial, que é o mais importante para estabelecer os indicadores relevantes e definir metas... O que não é medido não é gerenciado”.  

   

Não podemos discordar do que foi dito e da aula que Falconi deu em sua entrevista. O que estamos vendo, ainda hoje, é uma completa falta de estratégia, metas claras entre o executivo federal, estadual e municipal. Estamos perdidos hoje. 

O próprio ex-ministro da saúde Nelson Teich, que passou pouquíssimo tempo no Ministério da Saúde, em entrevista à Rádio Eldorado no dia 30 de junho de 2020, defendeu uma reforma completa nas ações de combate ao COVID-19 com mais “informação e coordenação” entre governo federal, Estados e municípios. Este foi e é um dos grandes pontos fracos do Brasil, e o governo federal simplesmente não enxerga isso. Já escrevi sobre esta questão, não vou repetir o tópico. 

Na opinião da Brasiliano INTERISK, o Brasil possui não mais cenários prospectivos, mas sim já está direcionado para o Cenário Pandêmico que chamamos de “Caos Prolongado”. Vendo o gráfico, fig.1, podemos deduzir que teremos um tempo muito mais longo de administrar a pandemia e nossa recessão será profunda. A subida para atingirmos o Platô, é morosa, como a descida, em função das medidas não serem eficazes. Neste caso os efeitos para controlar o vírus parecem inúteis. Governo e sociedade brasileira são forçados a romper, com isolamento e outras medidas de prevenção e mitigação, o que faz o famoso vai e volta dos Estados e Municípios. A economia é limitada apenas às necessidades e a inflação dispara.

Figura 1: Cenário de Caos Prolongado no Brasil – Medidas Ineficazes, Falta de Coordenação Conjunta
e de Objetivos claros a serem atingidos. (Fonte: Brasiliano INTERISK).

Hoje as mídias já anunciam que o número de brasileiros em idade de trabalhar que não têm emprego superou o de empregado. Temos 87,7 milhões de desempregados e 85,9 milhões de empregados, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do IBGE. Este número é o menor desde 2012, quando a pesquisa começou a ser realizada. A ajuda do governo federal, para as micro, pequenas e médias empresas não chegaram nas pontas. O governo reagiu tarde! Morosidade fez com que nosso quadro tivesse outra tintura, uma tintura nada agradável.

Teich alertou na sua entrevista que no Brasil “Não temos um aprendizado com o que está acontecendo. O isolamento vai e volta, mas não vejo ninguém explicando por que deu certo ou errado. A discussão do Lockdown é pobre, cada vez mais difícil de conseguir. A reação é cada vez mais difícil. Todo mundo deveria tentar criar um programa único (de medidas de distanciamento) e recomeçar do zero. Essa situação da pandemia não tem hora para acabar”, disse.

De acordo com Teich, é extremamente prejudicial para o País que haja uma tentativa de minimizar a gravidade da pandemia. “O pior a se fazer é trazer uma imagem de segurança e confiança quando ela não existe. A liderança precisa saber navegar num mar revolto como este. A única coisa que não pode ser feita é achar que o mar está calmo, porque não está”.

Basta ver as duas na Matrizes de Criticidade dos Estados, para vermos que a situação piora e não melhora. Os Estados tiveram uma alta de infectados e muitos tiveram que recuar. Famoso vai – e – volta.

Figura 2: Matriz do dia 29 de maio. Podemos ver que ainda temos 4 estados no quadrante verde (Fonte: Software INTERISK).

Figura 3: Matriz de 30 de junho. A piora é evidente, pois não há mais estados no quadrante verde, e uma grande parte migrou para o laranja e rosa. Aumento de Infectados versus ocupação de leitos de UTI (Fonte: Software INTERISK).

O que podemos concluir, sendo realista é que nós Brasileiros teremos ainda uma grande travessia pelo deserto, com expectativas reduzidas, em função da incompetência gerencial de nossos líderes políticos. 

Uma pena que o Brasil não teve a capacidade de unir os órgãos federativos, chegar a uma convergência, acabar com a desunião e polarizações políticas. Não entendo a razão desta insanidade, brigas constantes, ameaças e desatinos, por parte do governo federal. 

Como disse o General Carlos Alberto dos Santos Cruz, em entrevista, ao caderno EU & Fim de Semana do jornal Valor Econômico, do dia 26 de junho de 2020: “Intervenção Militar não tem cabimento” “Para quê?” “Se já recebeu 58 milhões de votos das urnas, agora é só governar”. 

Infelizmente não é isso que estamos vendo, apesar de ter alguns assessores e ministros qualificados. Perdemos mais uma oportunidade! Mais uma vez, os brasileiros pagarão uma conta muito salgada. Mais uma vez inúmeros brasileiros ficarão para trás.

         

O Governo Federal deve mudar sua postura, parar de polarizar, enfrentar os problemas de frente, ouvir seus assessores técnicos e a ciência, pois foi com este discurso que venceu as eleições. Mudanças! Mudanças que seus eleitores queriam. Não queríamos mais governos medíocres e corruptos. Hoje faz a união com o famoso Centrão, uma camarilha, que sempre esteve em todos os governos jogando só a seu próprio interesse. Compadrio, como o italiano fala, joga em qualquer time, desde que levem vantagem. Uma pena ter traído seus eleitores! 

Como pequeno empresário que sou, já tendo passado por inúmeras crises e planos de governos, desde 1989, sinto-me desiludido com os cenários que vem pela frente. Teremos que buscar do fundo da alma, forças para manter o ritmo dos negócios. E não sou só eu, falo por milhares de pequenos empresários que ficaram para trás, e que empregam a maior parte da mão de obra brasileira.    

Espero que algo mude ou aconteça para que o Brasil consiga novos horizontes!

Boa Leitura!

Antonio Celso Ribeiro Brasiliano
Publisher da Revista Gestão de Riscos e Presidente da Brasiliano INTERISK - abrasiliano@brasiliano.com.br

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