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Âncora 1

PONTO DE VISTA

“Modus Operandi” e Estratégias de ataques “hacktivistas”. Conhece?

Antonio Celso Ribeiro Brasiliano, CIGR, CRMA, CES, DEA, DSE, MBS
 Publisher da Revista Gestão de Risco e Presidente da Brasiliano INTERISK.
abrasiliano@brasiliano.com.br.br

Uma análise de mais de 13 milhões de casos de invasões e campanhas políticas de hackers, realizada pela empresa Trend Micro, especializada em segurança em nuvem, cibernética, móvel e consumerização, permitiu traçar um perfil sobre o modus operandi e os motivos que levaram os cibercriminosos a realizarem seus ataques nos últimos anos!

O mundo digital se tornou um espaço essencial para os indivíduos expressarem suas opiniões e promoverem suas causas. No entanto, o ativismo digital propiciou que os ciber criminosos e hackers também pudessem utilizar desta ferramenta de disseminação exponencial para expor, vender e convencer das suas crenças e ideais. Portanto o mundo digital é uma faca com dois lados, um positivo, onde as empresas e os cidadãos podem, de forma massiva, disseminar seus produtos, ideias, crenças e valores. E existe o lado negativo, que se as empresas e os indivíduos, não estiverem devidamente protegidos, os ciber criminosos e hackers irão também se apossar dos mecanismos para realizar suas divulgações, através de desfigurações de sites e vandalismo. 

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Essas ocorrências, ataques para desfigurar e vandalizar sites de empresas e personalidades, é denominada de “hacktivismo”. O Hacktivismo é o ativismo digital dos hackers em prol de alguma causa, e, querem simplesmente propaganda.

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Em 2017, os sites de várias organizações locais de Ohio, nos EUA, foram hackeados e desfigurados em uma manhã de domingo. De acordo com autoridades americanas, esse não foi um caso isolado e inúmeros sites do governo de Maryland, Idaho, Califórnia e Nova York também foram desfigurados.

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Os hacktivistas violaram os sites do governador e de outras entidades locais e substituíram o conteúdo original e legítimo por uma ameaça contra a atual administração presidencial e outras mensagens violentas, acompanhadas por um logotipo do grupo de hackers radicais conhecidos pelas autoridades.

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A simples invasão e agressão do site através do vandalismo são considerados pelos especialistas como um tipo de ataque cibernético de baixo nível e normalmente são executados por hackers menos experientes. A motivação é puramente psicológica, ligada ao poder. Geralmente como uma prova de audácia, perante seu grupo, firmando-se que conseguiu quebrar a segurança de determinada empresa ou instituição governamental. 

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A desfiguração de sites por hacktivistas sempre existiu, porém o que se concluiu foi uma tendência surpreendente e ascendente, focada na desfiguração de páginas da web. No geral, a Trend Micro encontrou mais de 104 mil defacers (nome dado para categorizar os ataques para modificação de páginas de sites da internet), que impactaram e comprometeram mais de 9 milhões de domínios individuais.

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A maior parte desses eventos desfigurou sites suportados pelo sistema operacional Linux, Windows 2000, 2003 e 2008. Os servidores Apache também foram muito afetados pelos ataques, com mais de 8 milhões de casos de desfiguração. Além disso, mais de 1,5 milhão de ataques de hacktivistas ocorreram em servidores web IIS/6.0.

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Para violar as proteções do site, os hacktivistas focam em vulnerabilidades específicas para obter acesso não autorizado aos sistemas de suporte de back-end. A Trend Micro descobriu que a maior parte dos hacktivistas, mais de 2 milhões, usaram as vulnerabilidades de inclusão de arquivos para habilitar a desfiguração. Outras estratégias foram:

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– Injeções de SQL – 1,26 milhão

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– Vulnerabilidades do sistema sem correção – 1,16 milhão

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– Roubo de senha – 1,11 milhão

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– Outros tipos de intrusões de servidores – 800 mil

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A pesquisa da Trend Micro descobriu que muitos episódios de desfiguração ocorreram como reações a outros eventos. Muitos casos serviram para impulsionar uma opinião do grupo de hackers, para esclarecer reivindicações e espalhar certas mensagens políticas. Listamos abaixo uma série de reinvindicações do hacktivismo. 

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#OpIsrael

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A #OpIsrael é uma das primeiras e mais antigas campanhas de desfiguração da web e uma das três principais campanhas anti-Israel identificadas pelos pesquisadores da Trend Micro. As desfigurações são focadas no conflito Israel-Palestina. Um dos primeiros exemplos de desfiguração, ocorreu em 2012, quando o conteúdo regular do site MYISRAEL.US foi removido e substituído por uma mensagem política do tipo: “Liberdade para a Palestina”, com um vídeo da pobreza da faixa de gaza.

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Desde então, há uma desfiguração anual em larga escala de vários sites todo dia 7 de abril, Dia que os judeus lembram o Holocausto. Até o momento, mais de 300 defacers vandalizaram mais de 5.400 domínios.

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A desfiguração de sites nas mãos de hacktivistas afeta agências governamentais, organizações privadas e outras entidades.

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Outro exemplo é do Grupo: #OpFrance – Hacktivistas do ataque do Charlie Hebdo

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Várias desfigurações de hacktivistas ocorreram logo após o ataque contra o Charlie Hebdo, em janeiro de 2015, girando em torno da polêmica revista francesa que publicava charges satíricas sobre o Islã e o profeta Maomé. Campanhas incluindo a #OpFrance foram criadas em resposta ao ataque, bem como foram articuladas outras campanhas como #OpCharlie, #OpCharlieHebdo e #AntiCharlieHebdo. A maior parte destas atividades ocorreram diretamente após o ataque, atingindo um pico em 11 de janeiro de 2015.

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O vandalismo digital é apoiado, principalmente, por diversos grupos de hackers da Síria, Marrocos, Bangladesh, Indonésia, Rússia, China, Coréia do Norte e outros lugares focando sites de organizações privadas, públicas e personalidades, de países que possuem um certo alinhamento contra o radicalismo islâmico. As desfigurações recentes incluem mensagens pró-muçulmanas e pró-islâmicas.

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Como Proteger da desfiguração?  

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Os especialistas recomendam três práticas para que a segurança do site seja mantida: 

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Primeira: Sempre aplicar correções nos sistemas, em tempo real. O que isto significa? Percebendo qualquer fragilidade, mau funcionamento, a correção virtual é estratégica e essencial. As fragilidades conhecidas podem ser usadas para violar e atacar o site, por esta razão que a correção tem que ser imediata; 

 

Segunda: Usar senhas fortes. As senhas comuns e consideradas padrão devem ser substituídas por robustas, incluindo combinações de números, letras e caracteres especiais, evitando de serem facilmente adivinhadas. Isto depende de sensibilização e conscientização. Fator Humano. Elo mais fraco.

 

Terceira: Use firewalls específicos de aplicativos web, visando monitorar atividades e proteger contra tráfegos que possam ameaçar o desempenho e o nível de utilização do site. 

 

Toda empresa deve garantir que seu site e suas redes socias estejam seguras contra possíveis invasões para o ataque da desfiguração, que impacta diretamente na imagem e moral da instituição. Embora muitos eventos de desfiguração surjam como respostas a acontecimentos específicos e de natureza totalmente incontroláveis, mas os clientes e parceiros não podem deixar de acessar os portais, recursos e informações que o site normalmente oferece. Isto é o principal objetivo do hacktivismo, pois consegue efeito midiático. 

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O Risco Cibernético é e continuará sendo um dos desafios mais urgentes que acompanham a Quarta Revolução Industrial. Para que o mundo digital vença esta guerra, há a necessidade da colaboração efetiva entre as nações e empresas. Caso contrário, por serem complexas as ameaças cibernéticas, com uma superfície cada vez maior e expostas para atores mal-intencionados. Cada nova inovação traz consigo novas e às vezes inesperadas vulnerabilidades. 

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Esta complexidade é agravada pela rapidez e facilidade que as ameaças se materializam no mundo digital. Conseguiremos deter este avanço, gerenciando de forma adequada, dentro do nosso apetite ao risco? Tomara que sim!

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Boa Leitura!

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Antonio Celso Ribeiro Brasiliano

Publisher da Revista Gestão de Riscos e Presidente da Brasiliano INTERISK
abrasiliano@brasiliano.com.br  

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