CENÁRIOS

 

Risco Político nas Eleições Presidenciais de 2018

Antonio Celso Ribeiro Brasiliano, CIGR, CRMA, CES, DEA, DSE, MBS 

Publisher da Revista Gestão de Risco e Presidente da Brasiliano INTERISK.

abrasiliano@brasiliano.com.br.br

Um dos temas mais debatidos em 2018 foi a eleição para Presidente da República, onde vimos um nível de complexidade e ambiguidade enorme. A radicalização foi tão grande que a eleição ficará marcada na história do Brasil. A pauta continua, dessa vez com os olhos voltados para o futuro.

A atenção voltada para a eleição ganhou mais notoriedade por se tratar da primeira eleição pós-impeachment da Dilma Rousseff, onde encontramos um país que necessita urgentemente de uma recuperação e mudanças drásticas.  

Podemos pontuar a grande recessão que vivemos desde 2013; o envolvimento em um dos maiores escândalos de corrupção da história brasileira e democrática mundial; a precária segurança pública que resulta em uma das maiores taxas de homicídios em termos de padrões internacionais; a altíssima taxa de desemprego que assola milhões e o nosso PIB beirando 1,5%.

O fato é que nós brasileiros estamos cansados destes cenários caóticos, nossa desconfiança é enorme! 

Na edição 125 dessa revista (para rever clique aqui), analisei os riscos políticos em meio a eleição, definido os riscos e principais atores que são testados nos casos acima.  Onde pudemos visualizar a interconectividade entre os riscos e o Ponto de Motricidade dos Atores:

1. O presidente; 

 

2. O legislativo;

 

3. O judiciário;

4. Os militares; 

 

5. A imprensa;

6. Os partidos;

7. Os candidatos;

8. As associações empresariais; 

9. Os sindicatos;

10. Os movimentos sociais;

11. A sociedade brasileira. 

O desejo por mudança era tanto, que a massiva maioria da população optou por eleger um presidente desvinculado dos principais partidos do país. A escolha foi realizada em meio à quase todas as revistas, jornais, redes sociais, jornalistas e cientistas políticos, falarem que a democracia brasileira corria risco em função de uma polarização de posição, entre a “turma A” e a “turma B”.

A interconectividade entre os riscos levantados demonstrava que o risco de Conflito Interno, radicalização e polarização de posições políticas, integrados com a volatidade  da taxa de juros, câmbio do dólar e a paralisação da economia favoreciam um cenário de eleição desse candidato sem vinculação com os partidos consagrados – PT, PSDB e MDB e com um viés mais rígido nos temas que sensibilizavam a população brasileira: segurança pública e corrupção. Não deu outra, Jair Bolsonaro do PSL foi eleito. 

Os cenários traçados para o dia 30 de outubro de 2018 eram de polarização das campanhas, divisão da sociedade brasileira, projetando o crescimento massivo do ativismo social e aumento da violência entre os partidos políticos. 

Na época, escrevi que o Brasil é uma nação jovem, e a nossa sociedade andava muito infeliz. Por esta razão era difícil não ficar com a pulga atrás da orelha e não ficarmos preocupados. 

Felizmente, embora o cenário de polarização tenha se concretizado de forma clara e direta, principalmente no segundo turno, dois erros crassos favoreceram o arrefecimento da tensão dos cenários hipotéticos. Foram eles: 

• Tentativa de Desinformação feita pelo PT

As atitudes contrárias ao ideologismo do PT ficaram tão latentes e gritantes que saltaram aos olhos da população brasileira, e com isso, a opção recaiu para Bolsonaro. Veja os principais fatos da Desinformação clicando aqui

• Falta da imparcialidade da imprensa

A mídia dizia uma coisa, o público achava outra; a mídia anunciava que aconteceria os fatos A, B e C, não aconteceram nenhum deles; a mídia queria que as pessoas fizessem isso ou aquilo, as pessoas fizeram exatamente o contrário.

Durante meses, todos os grandes noticiários tentavam provar que seria uma desgraça se Bolsonaro ganhasse, mas nunca pensaram sério, se o Bolsonaro realmente ganhasse e que milhões de brasileiros estivessem achando que essas coisas trágicas, justamente essas, eram as que consideravam as mais certas para o Brasil. 

Em cenários prospectivos chamamos isso de Rupturas de Tendências. Estas duas Rupturas de Tendências fizeram com que houvesse um arrefecimento no clima de tensão, além de alavancar a candidatura de Bolsonaro. Grande ensinamento para eleições futuras! 

Daí a necessidade da área de riscos de sempre construir cenários prospectivos, visando possuir a Visão da Antecipação. 

Elaboramos as seguintes incertezas críticas, que são os eventos considerados estratégicos que podem provocar rupturas de tendências. São eles na nossa visão:

 

• Taxas de Juros Internacionais sobem de 6,5% para 8%;

• Guerra Comercial entre EUA e China;

• Manutenção do subsídio do Óleo Diesel;

• Intervenção federal no RJ continua;

• Forte resistência e ações dos Movimentos sociais e ONG’s;

• Eleição na Câmara dos deputados e senado;

• Reajuste do Salário mínimo;

• Aprovação de crédito suplementar de 258,176 bilhões, evitando quebrar a regra de ouro – Crime de responsabilidade fiscal;

• Reforma da previdência;

• Déficit Fiscal;

• Privatizações;

• Aumento do fluxo migratório de venezuelanos, em torno de 86 mil em 2019, o que significa um total de 190 mil, podendo onerar o Brasil em US$ 56 milhões de dólares. Estes dados são frutos de estudos da ONU, publicados no jornal O Estado de S. Paulo do dia 15 de dezembro de 2018. 

Estas incertezas críticas podem desencadear os cenários econômicos elaborados pela XP INVESTIMENTOS:

A XP aposta no Cenário Base como o mais provável tendo em vista a evolução da agenda reformista, mas com desafios:

- Cenário otimista = rápida evolução das reformas; 

- Cenário pessimista = não evolução das reformas.

A Previdência é a principal despesa do governo, representando em torno de 60% do orçamento federal, e é o gasto que mais cresce por conta do rápido envelhecimento populacional. Se nada for feito, em 2030 a despesa com a previdência chegará a 70% do orçamento federal, o que é insustentável. Assim como acontece em alguns estados, poderá faltar dinheiro para serviços básicos, haveria queda na confiança, no investimento e aumento do desemprego. Portanto a reforma da Previdência é uma Incerteza Crítica Motriz!

Abaixo as projeções da XP, com números em três hipóteses da reforma da previdência: 

Vejam que se não houver a reforma da previdência, temos grandes chances das dificuldades econômicas do Brasil crescerem. 

As Consultorias 4E, LCA e MB Associados, realizaram os seguintes cenários, veja abaixo. 

Fonte:  Revista Exame, 12/12/2018, ano 52, n. 23.

A reforma política é um fato portador de futuro que abrange “n” eventos futuros. Os cenários traçados devem ser monitorados de forma direta, visando acompanhar se as incertezas críticas poderão criar as rupturas de tendências. Alguns eventos futuros para 2019 são extremamente críticos, tais como a formação da equipe de governo, Relação e liberdade do Paulo Guedes, e relacionamento com Senado e Legislativo. Espero que consigamos vencer este tsunami, pois será uma guerra! 

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